Faltaram verdades e sobraram mentiras no depoimento do ex-secretário da saúde na CPI da Pandemia

Esta coluna vem denunciando há um ano, todos os contratos, dispensas de licitação e aplicação da verba pública, no mínimo suspeitas, principalmente na saúde pública

Manaus – As argumentações durante o depoimento do ex-secretário de saúde do Amazonas, transmitidas pela CPI da Pandemia, causou arrepios sistemáticos em quem conhece a dura realidade no Estado que foi assolado pela falta de gestão durante a pandemia de Covid-19. Esta coluna vem denunciando há um ano, todos os contratos, dispensas de licitação e aplicação da verba pública, no mínimo suspeitas, principalmente na saúde pública. Denunciando o despreparo e o desgoverno instalado frente ao Estado. O que apontar de erros neste depoimento?

CPI

Nesta terça-feira (15), o ex-secretário de saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, foi recebido com duras críticas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado Federal, em Brasília. Ignorando todas as notícias sobre os documentos emitidos pela White Martins, principal fornecedora de oxigênio no Estado, Campêlo insistiu em dizer que só teve conhecimento da alta demanda do insumo, em janeiro, poucos dias antes da crise.

Irresponsabilidade

Foram falsas alegações realizadas durante o depoimento do ex-secretário que disse que só soube no início de janeiro sobre a alta demanda de oxigênio e que durante a visita da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, em 4 de janeiro, não houve necessidade de avisar sobre o oxigênio. “Nessa data, ainda não havia sinais desse tipo de necessidade. A empresa não sinalizava e o consumo de oxigênio estava na média”, disse.

Oxigênio

Essa coluna divulgou a nota enviada à imprensa pela White Martins, onde mostra que informou, seis meses antes da crise do oxigênio, que a demanda do insumo estava alta. Foram emitidos pelo menos três alertas ao Governo do Amazonas. O senador Eduardo Braga (MDB-AM), apresentou os ofícios enviados pela empresa no ano passado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). “Portanto, não foi em dezembro de 2020, nem janeiro de 2021. Em setembro, a White Martins já avisava que não suportaria. Está muito claro para mim o que aconteceu no Amazonas: incompetência e falta de vontade de salvar vidas”, reforçou.

Poucos dias

Marcellus Campêlo, ainda afirmou que só ocorreu a falta de oxigênio nas unidades públicas durante dois dias, em 13 e 14 de janeiro. Mas, a crise do gás medicinal foi vivida por muito mais tempo, tanto na capital, quanto no interior do Estado. Foram dias de longas filas para conseguir abastecer o cilindro vazio, filas para receber doação de cilindro e oxigênio, filas imensas na frente dos hospitais, manifestações, familiares desesperados chorando por seus entes queridos que tinham poucas horas de oxigênio disponível. Foram dezenas de mortes registradas e não foram apenas dois dias.

Incompetência

As ações da Secretaria de Saúde durante a pandemia de Covid-19, foram altamente criticadas pelos senadores. O senador Otto Alencar (PSB-BA) chegou a declarar que faltou tudo, menos vergonha em relação ao colapso da saúde. “A tragédia de Manaus é o casamento de um engenheiro como secretário estadual”, e enfatizou dizendo que “O governador do estado, Wilson Lima, foi irresponsável ao nomear um engenheiro para gerir a saúde”, disse.

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