Faz um ano que a PGR pediu a prisão de Wilson Lima pela compra superfaturada de respiradores

A compra superfaturada dos 28 ventiladores pulmonares foi feita em uma loja de vinhos no bairro Vieiralves, em Manaus

Manaus – Quantos amazonenses que votaram no governador Wilson Lima lembram do escândalo da compra superfaturada dos 28 ventiladores pulmonares em uma loja de vinhos no bairro Vieiralves? Em abril, completa um ano que a Procuradoria Geral da República (PGR) pediu a prisão do governador por causa da compra de R$ 2,97 milhões com o objetivo de auxiliar no atendimento de pacientes com Covid-19. Em média, cada aparelho custou quase o dobro do preço praticado em outros Estados. Os pedidos de impeachment contra Lima seguem esquecidos pelos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), mas não pela população que clama por justiça e chora por seus mortos.

Prisão

Em julho do ano passado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que o governador do Amazonas, Wilson Lima, tinha “domínio completo” de esquema que superfaturou a compra dos 28 ventiladores mecânicos para pacientes com Covid-19. Na deflagração da Operação Sangria, a Polícia Federal (PF) pediu a prisão do governador que foi negado pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Francisco Falcão, mas secretários de Estado e empresários foram presos na operação. O governador foi alvo de mandados de buscas e apreensão, inclusive uma lista escrita à mão com a cifra de 5% ao lado de nomes de deputados estaduais, foi encontrada pela equipe de investigação.

Na mira

O prejuízo estimado aos cofres públicos pelos investigadores da PF é de R$ 2,1 milhões. De acordo com a PGR, existe uma organização criminosa instalada dentro do governo sob o comando de Wilson Lima. Essa organização forjou um processo de dispensa de licitação para comprar equipamentos a preços superfaturados, comprando respirador por R$ 39,4 mil e vendendo para o governo por R$ 157,8 mil. O esquema, estava além dos respiradores, já que os investigadores rastrearam compras grandes de testes rápidos de Covid-19, que possivelmente seriam revendidos ao Estado. A PF continua investigando e uma próxima deflagração é aguardada.

Controversa

O governo de Wilson Lima é sustentado em controvérsias. No final do ano passado, negava incessantemente a possibilidade da segunda onda da pandemia de Covid-19. Desta vez, relutava em se preparar para uma possível terceira onda, ignorando novamente os alertas de especialistas e pesquisadores, prova disso são os decretos e flexibilização. Segundo o governador Wilson Lima, em entrevista à um veículo nacional, o Estado se prepara para a terceira onda em maio mas descarta fechar o comércio apesar do aumento do número de mortos, pois a população é muito pobre.

Culpa da população

A maneira mais fácil, é se adiantar e culpar a própria população pelos erros de gestão. Ainda durante a entrevista, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), afirmou que o comportamento da população vai ser determinante para que haja ou não uma nova fase acentuada de contaminação no Estado.

*Jornalista e apresentador do AMAZONAS DIÁRIO

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