Funcionários ‘fantasmas’, perseguição e esquema de ‘rachadinha’ na Policlínica Codajás

Cansados de sofrerem assédio moral e abuso de autoridade, técnicos e enfermeiros da Policlínica Codajás denunciaram ao Secretário de Saúde do Estado do Amazonas (SES-AM)

Manaus – Cansados de sofrerem assédio moral e abuso de autoridade, técnicos e enfermeiros da Policlínica Codajás denunciaram ao Secretário de Saúde do Estado do Amazonas (SES-AM) que só receberam Equipamento de Proteção Individual (EPI), dois meses após o início da pandemia de Covid-19. Os profissionais da saúde também encaminharam um documento ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM), denunciando esquema de ‘rachadinha’ que acontece. O diretor da unidade, Rainer Figueiredo da Silva, 27, é apontado como sobrinho do governador Wilson Lima.

Assédio

Em carta enviada à Casa Civil do Amazonas no dia 14 de outubro, destinada ao secretário de Saúde Marcellus Campêlo, os servidores da Policlínica Codajás relataram as situações de descaso que eles vivem diariamente. No ápice da pandemia, funcionários que permaneceram ou foram afastados por infecção, receberam faltas no contra-cheque. “Extrema dificuldade na gestão com uma direção que utilizava de métodos pouco assertivos para fazer gestão da unidade, a saber, a mesma praticava assédio moral e abuso de autoridade para com todos os servidores descaradamente”, consta no documento.

Sem EPIs

Os servidores denunciaram que trabalhavam em situações precárias para o combate ao novocoronavírus e que só receberam equipamentos de proteção individual (EPI) como máscara, avental, protetor facial e álcool em gel, após dois meses do início da pandemia. “Ficando assim lançados à sorte, todos os profissionais que permaneceram na unidade diariamente prestando serviços da forma que lhes era possível apenas com uma máscara cirúrgica de baixa qualidade e era o que tinha para o momento”, relatam. No documento enviado foi anexado um abaixo assinado que solicita o afastamento da gerente de Enfermagem que tem a prestação de contas julgada como irregular pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 2018.

‘Rachadinha’

Denúncia apontando suposto esquema de ‘rachadinha’ na Policlínica Codajás foi protocolado, nesta segunda-feira (9), pelos servidores da Saúde no Ministério Público do Amazonas (MPAM). De acordo com o documento, o esquema de repasse de verbas públicas é realizado com a participação da gerente de Enfermagem. Para não atrapalhar as investigações, vamos utilizar apenas as iniciais para relatar a denúncia dos servidores.

Esquema

De acordo com o documento, três funcionárias fantasmas da unidade de Saúde participam da ‘rachadinha’. Uma funcionária C. O. S. é técnica de enfermagem e possui dois contratos na Policlínica Codajás, estatuário e temporário. Mas, a mesma mora em Florianópolis em Santa Catarina. A segunda, N. S. M. é auxiliar de enfermagem, estatuária e possui um contrato de 6 horas, mora no Estado de São Paulo. A terceira, J. S. S. é técnica de enfermagem, estatuária e não é vista na unidade há muito tempo. As três funcionárias possuem as folhas de ponto assinadas devidamente de segunda à sexta. A denúncia informa que outras três pessoas cobrem os horários das funcionárias ‘ausentes’, apontadas no esquema.

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