Genocídio foi praticado pelo governo no pico da pandemia no Hospital Delphina Aziz

Capital atingiu a média de 140 sepultamentos no dia 26 de abril. Nessa época, enquanto pessoas morriam, o Hospital Delphina Aziz, utilizava apenas 50% da sua capacidade

Manaus – No pico da pandemia do novo coronavírus no Amazonas, a capital atingiu a média de 140 sepultamentos no dia 26 de abril, o registro chegou a 108%, acima da média histórica. Nessa época, enquanto a população morria nas portas dos hospitais à procura de um leito, o Hospital Delphina Aziz, estava utilizando apenas 50% da sua capacidade de ocupação, de acordo com relatório emitido pelo próprio hospital. O Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) que administra a unidade de saúde recebeu R$ 150 milhões em 16 meses.

Ocupação dos leitos de Covid-19

Em abril, o governo do Amazonas informou que possuía 95% dos leitos da unidade de tratamento intensivo ocupados por pacientes suspeitos, confirmados e em investigação pelo novo coronavírus. Com a superlotação no Hospital Delphina Aziz, o governo do Amazonas, montou o Hospital de Campanha da Nilton Lins. O ex-secretário da Susam, Rodrigo Tobias informou na época que “os números poderiam aumentar, demandando uma ocupação maior de leitos. Numa escala de 0 a 100 estava em de 95%, tendo um capacidade mínima de leitos vazios de UTI, apenas 5%”, disse em entrevista.

Relatório contradiz governo do Amazonas

Durante a CPI da Saúde, o relatório de ocupação de leitos assinado por uma doutora do Hospital Delphina Aziz, contradiz o que era divulgado amplamente pelo governo do Amazonas, a superlotação. No documento do Núcleo de Qualidade e Segurança do Paciente, a taxa de ocupação de leitos em abril estava em 50,73%, em maio 71,72% e junho 66,32%. Os dados mostram que existiam muitos leitos de tratamento disponíveis, que poderiam ter salvado vidas.

Contrato mais caro da saúde

O Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz é responsável pelos contratos mais caros do governo do Amazonas por meio da Susam, já que por mês custa cerca de R$ 30 milhões aos cofres públicos. São dois contratos, um pela Parceria Público Privada (PPP), em torno de R$ 13 milhões e outro pela Organização Social (OS) de R$ 17 milhões. O Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), organização social que gerencia o Complexo Hospitalar Delphina Rinaldi Abdel Aziz e UPA Campos Salles, recebeu em apenas 16 meses de contrato R$ 150 milhões.

Falta gestão no governo

Em depoimento à CPI da Saúde, a presidente da Comissão de Acompanhamento de Gestão de Contrato da Susam afirmou que acompanhou apenas 10% do primeiro trimestre de prestação de contas do Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH). Apesar da OS não prestar todos os serviços firmados no contrato, recebia pagamento completo e antecipado. No contrato, caso o instituto não realizasse algum serviço, este deveria ser descontado no valor a ser recebido, mas por falta de gestão do governo do Amazonas, todos os pagamentos eram realizados sem nenhum desconto, mesmo com o hospital não oferecendo todos os serviços de saúde previsto.

Genocídio no Amazonas

Os dados apresentados durante a CPI da Saúde da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), só comprova que o vimos foi um genocídio praticado pelo governo do Amazonas. No pico da pandemia do novo coronavírus, enquanto as pessoas morriam por falta de leito, o Delphina Aziz afirma que haviam leitos ociosos, disponíveis para tratamento. Como explicar isso ao povo amazonense que sofria e morria por ser o estado mais atacado pelo Covid-19 e com o maior índice de mortalidade?

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