Governador engana prefeitos e pesquisador responsabiliza governo pelo número de mortes

São diversas denúncias contra as ações do Governo de Wilson Lima, como contratos milionários, empresas privilegiadas, empresas que são investigadas e denunciadas

Manaus – A impressão é que estamos vivendo em um mundo paralelo no Amazonas. São diversas denúncias contra as ações do Governo de Wilson Lima (PSC), como contratos milionários, empresas privilegiadas, empresas que são investigadas e denunciadas mas que permanecem com grandes contratos no Estado, mortes por falta de oxigênio, luxos com jatinhos particulares e até iate, superfaturamento em insumos hospitalares, superfaturamento em respiradores pulmonares, todas essas suspeitas – algumas já investigadas pela Polícia Federal – não são vistas pelos fiscais do povo. São poucos os deputados estaduais que tem coragem de ir à tribuna e falar sobre as ações do governador que já possui pelo menos 12 pedidos de impeachment que estão guardados sob os olhares atentos da sua escolha, do seu voto em 2018. A população grita por socorro já quase sem voz, mas quem vai ter coragem de ouvir?

Cheque em branco

A novidade desta vez do governo do Amazonas foi prometer mas não especificar na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) enviada para Assembleia Legislativa do Estado (ALE), o valor de R$ 60 milhões para os municípios do interior do Estado. Segundo o deputado estadual Delegado Péricles (PSL), essa é mais uma tentativa de enganar os gestores e a população do interior. “Segundo o governador, os 5% aprovados pela Casa seriam para compensar os outros 5% que o governo não tem condições de repassar ao interior direto do FTI. No entanto, a PEC encaminhada à ALE e arquivada na segunda-feira, 8, pela CCJR, em momento algum afirma que sua destinação será a saúde do interior, deixando pré-estabelecido apenas a porcentagem de amparo à pesquisa, ou seja, o governador quer um cheque em branco para fazer o que bem entender. Mais uma enganação aos prefeitos e à população do interior”, denunciou em tribuna nesta terça-feira, 9.

Aplicação dos recursos públicos

Segundo o parlamentar, o governo afirmou ter direcionado recursos públicos para algumas áreas, sendo R$ 90 milhões para a cultura, R$ 20 milhões para o esporte e R$ 40 milhões para as demais áreas. “O governo do Estado investiu R$ 90 milhões em cultura? E os nossos artistas que estão desemparados? Existe sim possibilidade de repasse ainda maior que 10%. Está na hora de o governador parar de falácias e cumprir sua palavra”, disse Péricles.

Negligência

Ainda na tribuna da ALE, o cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) Lucas Ferrante disse que o grande número de novos casos e mortes por Covid-19 nesta segunda onda da pandemia, não foi por causa da nova variante do vírus e sim, a negligência do governo. “Nós trazemos esses dados para mostrar que não foi a nova variante que foi responsável pela nova onda e sim a negligência da falta de tomada de decisão. Esse número é responsável pela perda de imunidade de parte da população que teve contato com o coronavírus e de muitas pessoas que ainda estavam sendo expostas”, explicou.

Terceira onda

Em agosto do ano passado, o pesquisador emitiu um alerta sobre a segunda onda que foi ignorado. Segundo Ferrante, é prevista uma terceira onda em março já que a nova variante é duas vezes mais transmissível. A orientação é restringir a circulação de 90% das pessoas e vacinar em massa, pelo menos 70% da população nos próximos três meses.