Governo compra quase 90 mil conservas para indígenas de empresa com sede em hotel

A empresa vai fornecer conservas de carne para a Fundação Estadual do Índio (FEI), como ação de combate à Covid-19

Uma empresa sediada em um hotel de Manaus continua faturando em contratos com o Governo do Amazonas. Neste mês de maio, mais uma execução de despesa foi publicada em favor da empresa que vai fornecer conservas de carne para a Fundação Estadual do Índio (FEI), como ação de combate à Covid-19, afim de atender a demanda indígena. Na última semana, um documento que relata o descaso de políticas públicas durante o combate ao coronavírus entre os indígenas do Amazonas foi encaminhado aos membros da CPI da Pandemia, no Senado Federal.

Indígenas

Segundo dados obtidos no Portal da Transparência do Amazonas, no último dia 20, o governo do Estado, por meio da Fundação Estadual do Índio (FEI), firmou contrato com a empresa D’Max Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, para aquisição de gêneros alimentícios, a fim de atender demandas indígenas no combate à Covid-19.

Conservas

De acordo com a Nota de Execução de Despesa no valor de quase R$ 311 mil, o contrato foi realizado por meio do Pregão Eletrônico nº 508/2021, do Centro de Serviços Compartilhados (CSC), para o fornecimento de conserva de carne, tendo como ingredientes básicos carne bovina, sal, conservantes e condimentos naturais. Na nota foram descritas 88.855 unidades do produto, com preço unitário de R$ 3,50.

Hotel

Analisando o extrato do CNPJ da D’Max Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, com capital social de R$ 500 mil, em nome de Eliaque Alegria de Lima, foi verificado que a empresa possui como principal atividade econômica o “comércio atacadista de produtos alimentícios em geral”. No extrato é possível constatar também que a empresa está localizada na Avenida Torquato Tapajós, nº 4.503, sala 233, no bairro Tarumã, zona oeste de Manaus. O endereço fornecido é de um hotel na localidade.

Faz tudo

Mesmo localizada dentro de um hotel na capital do Amazonas, a empresa já participou de alguns contratos do governo do Estado e é daquelas conhecidas como ‘faz tudo’. Apesar de ter como principal atividade o fornecimento de produtos alimentícios, a D’Max Comércio possui atividades secundárias como serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita, pesca, frigorífico, abate de aves, fabricação de máquinas e aparelhos de refrigeração, construção de edifícios, serviços de lavagem, lubrificação e polimento de veículos, comércio de bebidas, atacadista de medicamentos e drogas de uso humano, entre outros.

CPI da Pandemia

Na última semana, a Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI) encaminhou aos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado Federal, um documento com oito páginas que relata o descaso durante o combate ao coronavírus entre os indígenas do Amazonas. De acordo com o documento, o número de mortes cresceu entre os índios, chegando a 306 óbitos até o dia 29 de abril, e também houve uma série de violações dos direitos indígenas e de práticas de genocídio. Líderes indígenas dos 23 povos que estão localizados no Rio Negro, no Amazonas, relataram o agravamento das condições de vida em inúmeras das comunidades com a pandemia da Covid-19 e a falta de política pública adequada, tanto aos indígenas quanto à população em geral.

*Apresentador do programa AMAZONAS DIÁRIO

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