Governo de Wilson Lima pagou ‘extra’ R$ 67 milhões por serviços não prestados no Hospital Delphina Aziz

Apenas um relatório foi feito em 16 meses de atuação do INDSH que já recebeu R$ 150 milhões, segundo investigação

Manaus – Investigações em contratos realizados no setor da saúde pública do Amazonas continuam comprovando o descaso do governo de Wilson Lima com o dinheiro da população. Considerado atualmente um grande elefante branco, o Hospital e Pronto Socorro Delphina Aziz, é gerenciado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), Organização Social (OS) recebeu (‘livre’) cerca de R$ 67 milhões do Governo, por serviços de saúde não prestados à sociedade amazonense.
Apenas um relatório foi feito em 16 meses de atuação do INDSH que já recebeu R$ 150 milhões.

Sem fiscalização do governo

Um dos focos de investigação da CPI da Saúde da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) é os dois maiores contratos da saúde que são realizados pelo governo do Amazonas no Hospital e Pronto Socorro Delphina Aziz. Após a assinatura do contrato, uma comissão com funcionários da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) foi formada para acompanhar e fiscalizar o trabalho de administração da INDSH que assumiu o Delphina Aziz. No contrato, entre diversos itens, um deles determinava que, caso o instituto não cumprisse o previsto para os serviços de saúde, seria descontado do valor total a ser recebido que, na época, correspondia a R$ 8,5 milhões por mês.

Atendimento precário

O INDSH recebeu, de abril a dezembro de 2019, aproximadamente R$ 76 milhões para funcionar com 100% de sua estrutura, ofertando serviços de saúde, mas ofereceu para a população apenas 37% da sua capacidade de atendimento. Em um cálculo rápido, diminuindo o recebimento pelos serviços prestados, teria uma diferença de R$ 42 milhões livres.

Pandemia de Covid-19

Durante a pandemia do novo coronavírus no Estado, o governo do Amazonas aprovou um pagamento ao INDSH, o 4º termo aditivo para o combate ao vírus, no valor de R$ 101 milhões a ser pagos em seis meses, o instituto passou a receber de R$ 8 milhões para R$ 17 milhões mês. Desta forma, pelos meses de abril a julho de 2020, o governo pagou R$ 67,8 milhões e de acordo com documento emitido pelo próprio instituto, de acordo com os gráficos da utilização dos leitos, a taxa de ocupação não passou dos 70%, ou seja, um sobrepreço de R$ 24,6 milhões em serviços não prestados.

Recebimento ‘livre’ de serviços

A denúncia foi feita pelo membro da CPI da Saúde, deputado estadual Wilker Barreto que calculou os valores ‘extras’ recebidos pelo INDSH, referentes ao ano passado e os quatro primeiros meses da pandemia. “Estamos falando de um contrato milionário que já custou cerca de R$ 67 milhões ao contribuinte por serviços não prestados. Isso é um assalto, é praticamente uma segunda Maus Caminhos. Se tivessem cumpridos todas as fases do contrato, o dano iria ser menor, mas esse contrato é lesivo”, alertou o parlamentar.

*Apresentador do programa AMAZONAS DIÁRIO

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