Governo de Wilson Lima pagou R$ 35 milhões para Zona Norte mas empresa gastou apenas R$ 2 milhões na pandemia

Considerado um “elefante branco” na saúde pública do Amazonas, o Hospital e Pronto-Socorro Delphina Abdel Aziz é responsável pelo contrato mais caro da SES-AM

Manaus – Considerado um “elefante branco” na saúde pública do Amazonas, o Hospital e Pronto-Socorro Delphina Abdel Aziz é responsável pelo contrato mais caro da Secretária Estadual de Saúde do Amazonas (SES-AM). O Consórcio Zona Norte Engenharia recebeu em três meses mais de R$ 35 milhões, mas gastou apenas R$1,8 milhão. Uma diferença de mais de R$ 34 milhões de reais. O que foi feito com esse dinheiro destinado no combate ao Covid-19?

Elefante Branco

O Hospital e Pronto-Socorro Delphina Abdel Aziz é administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) que, atualmente, recebe R$ 17 milhões por mês do Governo do Amazonas. Outro contrato é com o Consórcio Zona Norte Engenharia, Manutenção e Gestão de Serviço S.A., responsável por manter a estrutura da unidade de saúde e recebe R$ 13 milhões por mês. Ao todo, o hospital custa mensalmente aos cofres públicos R$ 30 milhões.

Gestão ineficaz

O valor recebido pelo Hospital Delphina Aziz por mês é muito maior do que três hospitais de “porta aberta” que atende qualquer tipo de doença ou situação de saúde, e que mereciam uma atenção redobrada. Juntos, os hospitais 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo recebem cerca de R$ 120 milhões por ano.

Investigação da CPI da Saúde

Os contratos do governo do Amazonas com o Hospital Delphina Aziz são investigados pela CPI da Saúde da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) que apura ilegalidades em contratos da saúde pública. Em 2013, o Consórcio Zona Norte Engenharia fechou parceria com o então governador, Omar Aziz, para a construção do hospital. O consórcio deverá receber, até o final do contrato em 2033, cerca de R$ 2,5 bilhões.

Pandemia de Covid-19

Durante a pandemia, o governo realizou um aditivo no contrato com as duas empresas que atuam no hospital Delphina Aziz. A Zona Norte Engenharia recebeu da SES-AM em março R$ 10,2 milhões, em abril R$ 11,9 milhões e em maio R$ 13,7 milhões. Ao todo recebeu R$ 35,9 milhões para combater o coronavírus, atendendo a população em Manaus.

Aplicação do recurso público

As notas fiscais referentes ao gasto de serviços realizados pela Zona Norte Engenharia mostram que, entre os meses de abril e maio, a empresa gastou menos de R$ 2 milhões, entre serviços de manutenção em toda rede de gás medicinal e centrais de ar comprimido, etiqueta cruz vermelha, link de internet, fornecimento de almoço suco e sobremesa.

Conta não fecha

Se compararmos, a Zona Norte Engenharia recebeu em três meses mais de R$ 35 milhões, mas gastou apenas R$1,8 milhão. Uma diferença de mais de R$ 34 milhões de reais. A grande pergunta que paira no ar e que deve ser feita por todos os amazonenses que são os pagadores desses grandes contratos públicos é: “O que foi feito com esse dinheiro? Foi aplicado na estruturação para receber os pacientes suspeitos e confirmados de Covid-19?”.

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