Governo do AM escondeu crise de oxigênio do governo federal

Uma carta enviada pela empresa White Martins à equipe de saúde alertou a respeito da falta do gás medicinal

Manaus – Em depoimento à Polícia Federal (PF), o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, disse que só recebeu a informação do Governo do Amazonas sobre a crise do oxigênio no dia 10 de janeiro. Em coletiva de imprensa após a falta de oxigênio nas unidades de saúde, o ministro informou que, apesar da equipe ter desembarcado em Manaus no dia 4 de janeiro, o problema apresentado não era a possível falta do oxigênio. Uma carta enviada pela empresa White Martins à equipe de saúde alertou a respeito da falta do gás medicinal.

Investigação

O Supremo Tribunal Federal (STF) está investigando o ministro da saúde a respeito da crise do oxigênio no Amazonas no início deste ano. Segundo informações divulgadas do novo depoimento do ministro da saúde pelo jornal O Estado de S. Paulo, no dia 4 de fevereiro, em Brasília, Eduardo Pazuello afirmou que não foi informado sobre a falta de oxigênio em Manaus no dia 8 de janeiro, e sim dois dias depois.

Reunião

Pazuello afirmou em depoimento que só no domingo, 10 de janeiro, as 21h, realizou uma reunião com o governador Wilson Lima, ocasião em que, durante a conversa, foi relatado o problema de abastecimento de oxigênio no Amazonas. O ministro ainda informou que no dia seguinte (11) convocou uma reunião com todos os secretários municipais de saúde e o secretário estadual para entender a abrangência da falta de oxigênio e demais dificuldades no atendimento à saúde.

Oxigênio

Durante o depoimento, a PF questionou o ministro sobre o recebimento do documento da White Martins (empresa que fornece oxigênio ao Estado) alertando para uma possível insuficiência no fornecimento de oxigênio para a demanda no Estado. De acordo com Pazuello, o documento nunca foi entregue oficialmente ao Ministério da Saúde e a empresa nunca realizou contatos informais com representantes do ministério.

Coletiva

No dia 18 de janeiro, em entrevista coletiva sobre a crise de oxigênio no Amazonas, o ministro da saúde informou que foi avisado pela empresa sobre a possível falta de oxigênio para as unidades de saúde. “Essa missão voltou no dia 6 de janeiro com esses dados. No dia 8 de janeiro, nós tivemos a compreensão a partir de uma carta da White Martins de que poderia haver falta de oxigênio, se não houvesse ações pra que a gente mitigasse esse problema”, afirmou Pazuello.

Hospitais

Na ocasião, o ministro disse que no final de dezembro não havia nenhuma indicação de que poderia ocorrer a falta de oxigênio nas unidades de saúde do Amazonas. “Não havia a menor indicação de falta de oxigênio. Para vocês terem uma ideia, a quantidade de oxigênio que a White Martins fabrica por dia em Manaus é de 28 mil metros cúbicos e o consumo era de 17 mil. A White tinha flexibilidade de trazer quase o dobro, a elevação foi muito rápida. Nós tomamos conhecimento que a White chegou no seu limite quando ela nos informou”, disse durante coletiva em janeiro.

*Jornalista e apresentador do AMAZONAS DIÁRIO

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