Incompetência: Wilson Lima vai misturar grávidas com infectados por Covid-19

Essa medida pode gerar uma onda de infecções e agravar o quadro de grávidas atendidas

Manaus – A temida segunda onda da pandemia de Covid-19 atingiu em cheio o Amazonas. Em uma corrida contra o tempo para tentar frear a proliferação do vírus, o governo do Estado continua anunciando medidas arbitrárias para o atendimento de pacientes contaminados que são contestadas pelo Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam). Um dos planos do governo é utilizar o Instituto da Mulher e Maternidade Dona Lindú para atender pacientes com Covid-19 em Manaus. Essa medida pode gerar uma onda de infecções e agravar o quadro de grávidas atendidas.

Maternidade

De acordo com o presidente do Simeam, Mário Vianna, é irresponsabilidade abrir sala rosa em todas as maternidades e unidades de saúde. “Se a Maternidade Ana Braga está tranquila como falam, porque a necessidade de ter outra unidade com Covid-19 na Maternidade Dona Lindu? Não dá para entender ter em todas as maternidades sala rosa, sem ponto de oxigênio ou sem banheiro específico. O ideal é ter uma unidade só para tratamento desses pacientes e que o profissional trabalhasse exclusivamente nessas unidades, porque quem entra para visitar ou ver alguma situação de saúde pode se contaminar ou esse profissional pode levar a doença. Por isso, insisto que o Hospital Delphina Aziz seja referência e os hospitais de campanha seja em torno, se concentrando em um único lugar todos os esforços”, explicou.

Plano de contingência

Em abril de 2020, o Simeam divulgou uma lista com 21 sugestões para reverter o colapso da saúde pública em função da pandemia de Covid-19 e síndromes respiratórias agudas. Mas, apesar dessa orientação, poucas medidas foram aceitas, muito menos o pedido de diálogo permanente com os profissionais da saúde e entidades. “A gente pediu que houvesse um diálogo permanente e não há, a Secretaria de Saúde (SES-AM) se sente a toda poderosa e totalmente dona da verdade”, disse Mário Vianna, presidente do Simeam.

Leitos de UTI

Nos últimos dias, uma das atitudes do governo foi retirar leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dos hospitais e transformar em leitos de Covid-19. A decisão foi questionada, já que havia sido divulgado anteriormente um grande número de leitos específicos para o vírus na propaganda do governo. Segundo informado pelo presidente do Simeam, foram retirados 12 leitos de UTI do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, que agora dispõe de apenas 40 leitos. “O secretário de Saúde fala isso como se fosse algo positivo. Mas, nós temos também pacientes não Covid-19 que sofreram infarto, AVC, câncer, trauma e outras patologias. Quantas vidas vão se perder por essa irresponsabilidade de tentar maquiar mais uma vez um sistema de saúde sem estrutura e total falta de planejamento?”, disse.

Governo sabia?

Um questionamento feito por todos é: “o governo de Wilson Lima não previu que estávamos a beira da segunda onda de infecção do Covid-19?”. Nas propagandas milionárias estava estampado que o Amazonas é referência no tratamento da doença com hospitais de campanha e leitos de UTI. “Nós vemos muita mentira do governo, pois falaram que na primeira onda, tinha mais leitos, uma estrutura grande para atender, mas não vemos esses leitos funcionando. Apenas dinheiro gasto com propaganda”, relatou Mário Vianna.

Hospital de Campanha

Agora é uma corrida contra o tempo para dar conta do atendimento de pacientes infectados com o vírus. O governo do Amazonas decidiu há alguns meses fechar as unidades específicas para o tratamento, decisão arbitrária. “A gestão de saúde não deveria ter fechado de uma hora para outra os hospitais de campanha, porque se sabia da possibilidade de vir novamente a segunda onda de infecção. Então, poderiam ter deixado a estrutura de stand-by, porque esse tempo de reestruturar novamente é precioso para as vidas”, explicou o presidente do Simeam.

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