Infectada na 1ª onda, técnica de enfermagem sofre com sequelas e família relata abandono

A família da profissional da área da saúde que segue internada, relatou o abandono e a falta de tratamento apropriado para ela que está com risco de amputação dos pés

Esta coluna recebeu denúncia de familiares de uma técnica de enfermagem que se contaminou na primeira onda da pandemia de Covid-19 em Manaus e que até hoje sofre com as sequelas do vírus. A família da profissional da área da saúde que segue internada, relatou o abandono e a falta de tratamento apropriado para ela que está com risco de amputação dos pés. Na Campanha Solidária, amigos e familiares pedem doação de material de higiene, como travesseiro, colchão casca de ovo, capa de plástico e fraldão para a profissional.

Denúncia

A denúncia foi feita pela família da técnica de enfermagem Keila Monteiro, informando a situação de abandono que a profissional está vivendo no sistema público de saúde no qual trabalhou diariamente na luta contra o vírus, logo no início da pandemia da Covid-19. Abalados, enviaram fotos e vídeos que mostram o estado de saúde debilitado. Keila está internada no Hospital Doutor Platão Araújo. Em um dos vídeos a filha da profissional diz que tentou falar com os médicos e obter informações, mas sem sucesso. “Hoje é domingo (1º) e não veio nenhum médico conversar comigo para saber porque esses roxos estão se expandindo. Ninguém me diz o que minha mãe tem, fica um jogando para o outro e enquanto isso, os roxos vão se alastrando e a dor dela vai aumentando”, relatou.

Saúde

A profissional de saúde trabalhou durante a pandemia de Covid-19 na Unidade de Pronto-Atendimento José Rodrigues na zona norte de Manaus, quando se infectou pela Covid-19 e ficou internada por quase seis meses no Hospital Delphina Aziz, perdendo um dos rins e sofrendo um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Há uma semana, Keila voltou a ser internada, e sem o tratamento adequado corre o risco de amputar os pés.

Direitos

Conversamos com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Santas Casas, Entidades Filantrópicas e Religiosas e Estabelecimentos de Saúde do Estado do Amazonas (Sindpriv-AM), Graciete Mouzinho, que pede atenção e ajuda das autoridades. “É lamentável a situação da Keila, porque se ela tivesse tido a assistência adequada, talvez essa mãe de família não estivesse nessa situação. Não é só ela, existe vários profissionais ainda sequelados que estão indo trabalhar porque até o momento não receberam nada do INSS e para não passar necessidade, tiveram que voltar a trabalhar e não tem ajuda de ninguém, nem do Governo”, desabafou.

Equipamentos

Esta coluna denunciou diversas vezes a falta de equipamentos de proteção individual (EPI’s) durante a pandemia de Covid-19. “Esses profissionais que se contaminaram, foi no início da pandemia onde tinha uma deficiência enorme de EPI’s. Não tinha os equipamentos adequados e todo mundo sabia, e só disponibilizaram depois de muita luta e denúncia que fizemos em veículos de comunicação, no Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e dos sindicatos, mostrando a falta de respeito do Governo com esses profissionais que tanto trabalharam na linha de frente. Muitos perderam a vida e outros, abandonados, só podem contar com os amigos e familiares”, relembrou Graciete.’’

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