Jovem abandonado pelo governo do Amazonas está há três meses sem alimentação

A denuncia mostra a realidade vivida pela população que precisa de serviços de qualidade

Manaus – Há três meses sem alimentação, Isaque Ferreira, de 24 anos, aguarda auxílio do governo do Amazonas. Mas, enquanto isso, está debilitado em cima de uma cama. A situação vivida pelo amazonense reflete o nítido descaso da saúde do Estado. Esta coluna denuncia e mostra a realidade vivida pela população que precisa de serviços de qualidade. Atualmente, o jovem Isaque, diagnosticado com esquizofrenia e depressão profunda, não consegue comer e nem beber água, estando em estado de desnutrição.

Saúde

Dona Solange – mãe de Isaque – conta como descobriu a doença do filho há quatro anos. “Ele não come comida, não bebe água. Então eu já procurei vários lugares para ver se eu conseguia colocar uma sonda para ele se alimentar, mas ninguém quis fazer isso pelo meu filho. A alimentação do meu filho é cara e eu não tenho como pagar. Quero pedir que alguém me ajude, porque a última vez que fui com ele no Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo passei por três médicos”, disse.

Melhor em Casa

O programa criado pelo Governo Federal que existe no Amazonas não atende a família do jovem Isaque. A mãe só soube do projeto através de uma funcionária durante atendimento na unidade de saúde. “Uma enfermeira que estava atendendo o meu filho perguntou se ele já era cadastrado no programa Melhor em Casa e quando eu disse que ele não fazia parte, eles cancelaram tudo. Meu filho já estava preparado para receber a sonda e os medicamentos, quando souberam que ele não fazia parte, eles pararam todo o procedimento”, declarou a mãe.

Revolta

Em meio ao desespero em ver o filho definhando dia após dia, a mãe de Isaque relata os momentos de angustia vividos na unidade de saúde. “Perguntaram se eu tinha condição financeira de sustentar a alimentação do meu filho e eu disse que não tenho. Para onde eu for com ele, temos que pagar transporte particular, ficar carregando para todos os cantos sem ao menos ter uma cadeira de rodas. Já fui para várias unidades de saúde e ninguém me ajuda. Não sei o que fazer ou a quem recorrer para ajudar o meu filho”, diz chorando a mãe de Isaque.

Desespero

A família do Isaque não sabe mais a quem recorrer para salvar a vida do jovem que está definhando em cima de uma cama. “Eu peço socorro, não sei mais o que fazer. Ele tenta beber água, mas a única coisa que conseguimos é molhar a boca dele com algodão. Está muito difícil, no corpo dele já estão aparecendo feridas por ficar tanto tempo assim, deitado. Meu filho está nesse estado, ele está usando fraldas que são doadas. Só queria que ele tivesse um tratamento digno, uma ajuda”, desabafa a mãe.

Gastos milionários

O programa Melhor em Casa tem o objetivo de levar serviços de profissionais de saúde como médico, enfermeiro, fisioterapeuta, técnico de enfermagem, nutricionista, assistente social, fonoaudiólogo, psicólogo, farmacêutico, administrativo para atender ao sistema de saúde pública. Nos últimos dois anos, foram gastos mais de R$ 5,1 milhões.

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