Ministro Pazuello desmoraliza governador Wilson Lima para todo o Brasil

Em entrevista a uma rede nacional de comunicação, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que não foi informado pelo governador Wilson Lima sobre a falta de oxigênio nas unidades de Saúde em Manaus

Manaus – O Amazonas enfrenta o colapso no sistema de Saúde pública, principalmente pela falta de leitos para tratamento de Covid-19 e mais recentemente, pela falta de oxigênio que matou dezenas de pessoas no início de janeiro. Para que os pacientes infectados respirassem por mais quatro horas, familiares faziam uma corrida contra o tempo e pagavam em média R$ 400 por um cilindro de oxigênio. Apesar do Governo do Amazonas já ter adquirido algumas usinas para produção do gás medicinal, podemos ver que em grupo de mensagens, amazonenses ainda procuram o produto para adquirir.

O Governo

Em entrevista a uma rede nacional de comunicação, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a pasta de Saúde não foi informada pelo governador Wilson Lima sobre a falta de oxigênio nas unidades de Saúde em Manaus. “Não houve emissão em nada, pelo contrário, fomos proativos o tempo todo. O acompanhamento das curvas de óbitos e casos é feito em todas as capitais dos Estados e está no nosso site, é um acompanhamento diário”, explicou.

Crescimento de casos

Preocupado com a curva crescente de mortes e novos casos do novo coronavírus no Amazonas, o ministério da Saúde entrou em contato com o governo do Estado. “Nós acompanhamos o que está subindo e ligamos para perguntar o que aconteceu, qual o motivo de um ponto fora da curva. A primeira subida radical foi final do mês de dezembro e início de janeiro, os percentuais de elevação vão de 90% de uma semana para outra e casos de óbitos vão a 104% de uma semana para outra”, disse Pazuello.

Ligação

Preocupado com a situação em Manaus, o ministro da Saúde que tem família residente no Estado, entrou em contato com o governo. “Foi me chegando no final do ano apreensões. Liguei para o governador, liguei para secretários, todos estavam observando a subida, mas não estavam entendendo, naquele momento, que aquilo ali iria explodir em uma semana. Então, a partir dessas ideias de que a situação visualizada poderia acabar lotando estruturas de Saúde, resolvermos nos antecipar para evitar que a situação ficasse ruim”, disse.

Ajuda

No dia 28 de dezembro, o ministro Pazuello reuniu os secretários e nomeou uma médica como secretária que ficou três dias no Amazonas juntamente com uma equipe para avaliar a situação da Saúde. A médica retornou à Brasília no início de janeiro. “O que é importante ressaltar, que até o momento, nem o governador, nem a secretária enviada para o Estado, nem ninguém, ninguém nos trouxe nenhuma situação de oxigênio. Ninguém trouxe falta de oxigênio, ninguém trouxe demanda, nada. Os nossos apoios seriam de pessoal, de medicamentos, estrutura, disponibilização de leitos…os apoios normais que o ministério faz, considerando na nossa divisão tripartite, o ministério não tem competência nas ações e na gestão dos Estados e municípios”, esclareceu.

Oxigênio

Apesar do Governo do Amazonas relatar ao Ministério da Saúde que “não estavam entendendo, naquele momento” a leitura dos dados crescentes, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) já havia montado em 23 de novembro, um projeto informando que a quantidade de oxigênio adquirida mensalmente não seria suficiente para atender a alta demanda decorrente da pandemia da Covid-19. O Ministério Público está investigando os culpados pela crise de oxigênio no Amazonas.

*Jornalista e apresentador do AMAZONAS DIÁRIO

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