Morte de policiais em Nova Olinda do Norte por facções criminosas foi irresponsabilidade da Secretaria de Segurança

Além dos dois policiais mortos, outros dois ficaram feridos durante o confronto com criminosos na região do Rio Abacaxi

Manaus – A noite desta segunda-feira (3), ficou marcada para a Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Policias foram mortos em tiroteio na região do Rio Abacaxi, em Nova Olinda do Norte. Dois policias foram mortos e dois ficaram feridos em confronto com criminosos. O tenente-coronel da reserva da Polícia Militar, Ubirajara Rosses, falou sobre a estrutura da organização e sobre a operação.

Operação em Nova Olinda

O coronel Ubirajara Rosses falou que a operação em Nova Olinda não foi planejada e unilateral, determinada pelo secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Lourismar Bonates, que escalou o efetivo do Comando de Operações Especiais (COE) para missão sem qualquer ordem de serviço e preparatória ou levantamento de inteligência para que fosse levantado o grau de risco. Segundo Rosses, o desencontro de informações ficou bem claro. “Ninguém sabia dar qualquer tipo de informação sobre a ordem para que essa patrulha se deslocasse para a operação, até que a tropa totalmente revoltada com o acontecido, abriu o verbo e disse que foi uma ordem expressa do secretário de segurança”, disse o tenente-coronel.

Equipamentos para a polícia

Segundo Rosses, os policiais militares e civis nunca estiveram armados, treinados, protegidos e equipados. “Nunca teve esse tipo de preocupação por parte do secretário de Segurança. Ele mantém a rédea curta, tanto o comandante-geral da PM quanto a delegada-geral da Polícia Civil, não têm poder de mando nenhum. Todas as ações e comandos são dados pelo secretário de Segurança Lourismar Bonates. Ele age como um ditador dentro do sistema de segurança pública e nunca permite ser contrariado mesmo estando errado todas as vezes”, disse.

Armamento contra o crime organizado

Questionado sobre o armamento de proteção e combate contra o crime organizado no Amazonas, o tenente-coronel Rosses falou sobre a situação precária. “Hoje nós temos o pior arsenal bélico do País. O sistema está totalmente falido. Na parte da madrugada, quando os nossos policias estavam indo tentar capturar esses criminosos, que mataram nossos policias, as unidades estavam passando de quartel em quartel para ver quem tinha fuzil para emprestar para a COE para essa operação. Só para você vê a vergonha que a gente passa”, falou.

Combate ao tráfico de drogas

Os indivíduos do crime organizado ganham notoriedade no Amazonas. “Como não há uma resistência por parte da secretaria de segurança, vive-se num crime de harmonia necessária. Mas, hoje se sabe que o poder do potencial bélico deles é muito superior do que das duas policias juntas possuem para combate ao tráfico de drogas”, disse Rosses. Esse clima é estabelecido enquanto a equipe policial não fere qualquer objetivo do tráfico de drogas no Amazonas.

Coragem dos policias

O que os policias militares e civis do Amazonas merecem são aplausos, pela coragem em combater o crime. “Eles vão para missão para salvar vidas, pessoas que nem conhecem, mas, estão inseguras. As unidades não têm proteção ou armamento e muito menos munições. Os coletes à prova de balas são vencidos e, principalmente, não possuem retaguarda jurídica nenhuma”, relatou Rosses.

*Apresentador do programa Amazonas Diário

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