MPF responsabiliza Marcellus Campêlo pelas mortes por falta de oxigênio

A irresponsabilidade do governo de Wilson Lima na segunda onda da pandemia de Covid-19 ocasionando a falta de oxigênio em Manaus vira mira do MPF

Manaus – Esta coluna já denunciou diversos casos suspeitos de corrupção, abandono e irresponsabilidade do governo do Amazonas, principalmente durante o início da pandemia de Covid-19, onde ocorreram vários processos licitatórios suspeitos de superfaturamento e ilegibilidade. A irresponsabilidade do governo de Wilson Lima na segunda onda da pandemia de Covid-19 ocasionando a falta de oxigênio em Manaus, no início de janeiro deste ano, é alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF) que processou por responsabilidade na crise o secretário de Saúde, Marcellus Campêlo.

Respiração

Depois de tanto sofrer com os efeitos da pandemia, os amazonenses esperaram que neste ano, a situação fosse melhorar na atuação do Poder Público, agora “experiente” com o vírus. Mas, os piores dias foram na primeira quinzena de janeiro com a falta de oxigênio nas unidades de saúde. Após a crise, onde muitas entidades, grupos voluntários, artistas e empresários ajudaram o Amazonas enviando doações de cilindro de oxigênio, iniciou as investigações. Quem são os culpados? Quem soube e não fez nada? E esta coluna trouxe e análise com dados, documentos e falas, apontando a omissão do governo de Wilson Lima que foi alertado pela própria empresa fornecedora do gás medicinal, que o oxigênio poderia ser insuficiente caso aumentasse a demanda.

Ministério Público

Na terça-feira, 13, o MPF ajuizou na Justiça Federal, ação de improbidade administrativa contra o secretário estadual de saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo “pela omissão dos agentes públicos entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, quando se verificou, no Amazonas, a crise no fornecimento de oxigênio medicinal e o aumento no número de mortes por Covid-19, durante a chamada segunda onda da pandemia”, cita.

Responsabilidade

A ação também inclui três secretários do Ministério da Saúde e o coordenador do Comitê de Crise do Amazonas, Francisco Ferreira Máximo Filho. O MPF identificou atos de improbidade administrativa em cinco situações distintas, descritas e comprovadas detalhadamente na ação: atraso e lentidão do Ministério da Saúde no envio de equipe para diagnosticar e minorar nova onda de Covid-19 no Amazonas; omissão no monitoramento da demanda de oxigênio medicinal e na adoção de medidas eficazes e tempestivas para evitar seu desabastecimento; realização de pressão para utilização de ‘tratamento precoce’; demora na adoção de medidas para transferência de pacientes que aguardavam leitos; e ausência de medidas de estímulo ao isolamento social.

Experiência

De acordo com MPF, na ação de improbidade administrativa, o novo pico de casos de Covid-19 e mortes dele decorrentes no final do ano passado com expectativa de situação ainda pior em janeiro de 2021, com suspeita de colapso do sistema de saúde em proporções iguais ou mais graves que a vivida entre abril e maio de 2020 com a agravante de que, em dezembro, os hospitais de campanha já haviam sido desativados pelo governo do Amazonas. No colapso no abastecimento de oxigênio, em janeiro deste ano, os representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde deixaram “ilicitamente de determinar a adoção das medidas necessárias para calcular a demanda de oxigênio. Somente após o agravamento da crise, projetou-se demanda futura de 104 mil m³/dia”, consta.