Pacientes morrem com lentidão do Governo do AM que gasta mais de R$ 11 mi com UTI aérea

Em uma família indígena, três pessoas morreram infectadas pelo vírus sem conseguir transferência para Manaus

Manaus – Faltam cerca de 13 dias para completar um ano do primeiro caso registrado de Covid-19 no Amazonas. Esta coluna é dedicada à todas as vítimas e famílias que sofreram com a crise da saúde pública que foi acentuada com a chegada da pandemia, já são mais de 10,7 mil mortes. Em setembro do ano passado, denunciamos que o Governo de Wilson Lima gastou R$ 11,5 milhões em UTI aérea mas a população do interior sofria com a lentidão do serviço. Em uma família indígena, três pessoas morreram infectadas pelo vírus sem conseguir transferência para Manaus.

Covid-19

Conversamos com Robério Ramires de 39 anos, indígena da etnia kambeba que relatou os momentos de angústia, sofrimento e de abandono que a sua família passou em São Paulo de Olivença, distante 1.235 km de Manaus. Ele perdeu seu tio, sua mãe e seu pai para o novo coronavírus. Mas para ele, não foi o vírus que matou seus familiares e sim o descaso do Governo de Wilson Lima com a qualidade dos serviços de saúde.

Velório

O caso da família começou quando seu tio Antônio dos Santos de 75 anos morreu no Hospital Robert Paul Baksman no dia 28 de janeiro, alguns dias após dar entrada na unidade de saúde com dor de cabeça, pressão alta, tosse, dor nas costas, fraqueza e febre. A família questionou a respeito do teste para covid-19. “Esse foi o primeiro caso na nossa família e o corpo dele foi liberado para o velório e como consequência disso o meu pai, minha mãe, minha irmã, minhas duas sobrinhas e meu irmão foram infectados. Porque foi liberado para velório se meu tio que tinha sintomas do vírus?”, questiona Robério.

Contaminação

A mãe Flauzina Ramires de 74 anos, uma das infectadas no velório, foi levada para a unidade de saúde. “Mesmo com sintomas severos mandaram a minha mãe de volta para casa. Depois de uma semana, ela já estava sentindo falta de ar e levamos de novo para o hospital. Mesmo assim não colocaram ela no oxigênio, uma vez que no dia anterior o município havia recebido 50 balões de oxigênio vindo de Tabatinga”, relatou.

Transferência

Desesperado com o estado de saúde da sua mãe, Robério solicitou transferência ao Governo do Estado para uma unidade de saúde mais equipada. Porém, todas as tentativas foram negadas, apesar da saturação dela estar a cima de 95%, solicitada para o transporte. Não havia UTI aérea disponível para a remoção. “Então, a politicagem sempre reina e os mais fracos não conseguem sobreviver. Eu particularmente vi que ali eles datavam quem vivia e quem morria. Transfere quem eles querem. Foi uma perca severa que poderia ter sido evitada não só da minha mãe, mas de outras pessoas que morreram”, contou emocionado.

UTI aérea

Segundo a denúncia, o transporte aéreo de pacientes estava bem escasso. Nesta sexta-feira, 26, Robério recebeu a notícia de que seu pai Raimundo dos Santos de 73 anos faleceu por covid-19. “Se existe UTI aérea, porque não foram buscar? O aeroporto do município comporta uma aeronave e o que eu me pergunto até agora é como eles conseguem pousar o jato do Governo do Estado e para UTI não tem como, é difícil e depende do Estado. Porque não foram buscar os pacientes críticos? Tudo isso é errado, foram três perdas meu tio, minha mãe e meu pai”, relata.

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