População agonizava em casa e Hospital Delphina tinha 175 leitos clínicos para tratamento de Covid-19

A confirmação do fato vem do relatório divulgado na CPI da Saúde, após denúncia feita ainda nesta semana por esta coluna

Manaus – Enquanto a população do Amazonas morria por falta de leito para tratamento de Covid-19 no pico da pandemia, em abril, a unidade de saúde, que era referência, tinha leitos ociosos à espera de pacientes, segundo relatório divulgado na CPI da Saúde que confirmou a denúncia feita ainda nesta semana por essa coluna. O Amazonas registrou nesse período, em final de abril, 312 óbitos confirmados.

Pagamentos ao Hospital Delphina Aziz

No período de mais necessidade para a população manauara, o Hospital Delphina Aziz – eleito a unidade de saúde para o tratamento da doença no estado do Amazonas – tinha leitos ociosos, conforme o relatório do Núcleo de Qualidade e Segurança do Paciente, assinado pela própria médica do hospital, onde mostrava que em abril havia apenas 50,73% dos leitos ocupados.

Confirmação de leitos disponíveis

O diretor executivo do Instituto de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), responsável pela gestão do hospital, José Luiz Gasparini, confirmou que recebeu o pagamento integralmente do governo do estado do Amazonas por meio da Secretaria Estadual de Saúde (Susam), apesar de não funcionar 100% em sua totalidade.

Festa da pandemia de Covid-19

A Susam dobrou o contrato do Instituto de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) durante a pandemia do novo coronavírus no Amazonas e dispensou, conforme consta no documento emitido pela própria Susam, que a Organização Social cumprisse metas de atendimento. Após o aditivo aprovado pelo governo de Wilson Lima, o instituto recebeu certa de R$ 17 milhões por mês.

Leitos ociosos

Durante depoimento à CPI da Saúde, José Luiz Gasparini diretor executivo do Instituto de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) confirmou que a Susam estava ciente da quantidade de leitos de tratamento para Covid-19 disponível no Hospital Delphina Aziz. Segundo o relatório, aproximadamente 175 vagas de leitos clínicos estavam ociosos. Enquanto isso, os amazonenses que batiam nas portas de hospitais e prontos-socorros eram mandados de volta para suas casas por falta de leitos nas unidades de saúde.

Caos na saúde pública do Amazonas

Os depoimentos, relatórios, provas e documentos apresentados durante a CPI da Saúde da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), que investiga os contratos da saúde pública do estado, só comprova que o governo praticou genocídio com a população. São respiradores pulmonares comprados pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) em uma loja de vinhos com o superfaturamento de 300%; lavanderia que funciona em uma oficina mecânica e que ‘lavou’ em 14 dias cerca de 44 toneladas de roupas, entre outras descobertas, só neste ano, durante a pandemia de Covid-19 no governo do Amazonas.

*Apresentador do programa AMAZONAS DIÁRIO

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