Repasse de R$ 82,8 milhões para Hospital Delphina, que só gastou R$ 1,8 milhão na pandemia, é alvo da PF

Há meses estamos denunciando um dos contratos mais caros do governo do Amazonas na saúde pública, o consórcio que administra o Hospital Delphina Abdel Aziz

Manaus – Há meses estamos denunciando um dos contratos mais caros do governo do Amazonas na saúde pública, o consórcio que administra o complexo do Hospital e Pronto-Socorro Delphina Abdel Aziz. Na mira do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) está o governador do Amazonas, Wilson Lima que é suspeito de liberar, entre fevereiro e agosto deste ano, principalmente durante a pandemia do novo coronavírus, o repasse de R$ 82,8 milhões para um consórcio contratado por meio de parceria público privada (PPP) que administra o complexo de saúde.

Consórcio Zona Norte

Durante o período da pandemia do novo coronavírus no Amazonas, recursos públicos foram destinados as unidades de saúde da capital e interior para melhor equipar com o intuito de receber os pacientes infectados pelo vírus. O Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz se tornou referência para o tratamento do vírus, quem administra o complexo de saúde é o Consórcio Zona Norte que recebeu R$ 30 milhões mensais para preparar a unidade de saúde para o tratamento de pacientes.

Hospital referência

Como já denunciado por esta coluna, o Hospital Delphina Abdel Aziz se tornou ‘um elefante branco’, sendo um dos principais focos de investigação da CPI da Saúde por conta dos indícios de irregularidades, descaso e desorganização das empresas que administram a unidade de saúde. O Consórcio Zona Norte é administrado por duas empresas, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) recebendo cerca de R$ 17 milhões e a Zona Norte Engenharia, Manutenção e Gestão de Serviços S.A, no valor de R$ 13 milhões, por meio do contrato de gestão nº 001/2019. Ao todo o consórcio custava por mês mais de R$ 30 milhões aos cofres públicos.

Ministério Público Federal

Na mira do MPF, da PF e da CGU está o governador do Amazonas, Wilson Lima que é suspeito de liberar, entre fevereiro e agosto deste ano, principalmente durante a pandemia do novo coronavírus, o repasse de R$ 82,8 milhões ao Consórcio Zona Norte. O recurso público foi destinado para o complexo da Zona Norte que compreende o Hospital Pronto-Socorro Delphina Aziz e a Unidade de Pronto Atendimento Campos Sales. O dinheiro era para ser utilizado pelas empresas para equipar as unidades de saúde usados como linha de frente no combate ao novo coronavírus, mas segundo investigações não foi isso que aconteceu.

Investimento

De acordo com investigações realizadas nos comprovantes analisados, do montante de mais de R$ 82,8 milhões repassados ao Consórcio Zona Norte, apenas R$ 1,8 milhão foi investido no Hospital Pronto Socorro Delphina Aziz e na Unidade de Pronto Atendimento Campos Sales.

Alerta

A velocidade das transações e volume de pagamentos realizados ao Consórcio Zona Norte chamou atenção das autoridades. Em todo o ano passado, as empresas receberam cerca de R$ 22,9 milhões, mas, apenas no primeiro semestre deste ano, foram repassados mais de R$ 82,8 milhões. Se desse montante, apenas R$ 1,8 milhão foram investidos nas unidades, o que foi feito com os R$ 81 milhões que ‘sobraram’? É isso que as autoridades estão investigando.