Transporte dos ventiladores superfaturados foi pago pelo próprio Governo do Amazonas

Segundo a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, o governador Wilson Lima faz parte do esquema que faturou milhões

Manaus – As investigações da Operação Sangria continuam a todo o vapor no Amazonas, como esta coluna vem alertando nos últimos dias. Essa semana iniciou com a terceira fase da investigação que cumpriu mandados judiciais de busca e apreensão que foram autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, o governador Wilson Lima faz parte do esquema que faturou milhões na compra e venda de ventiladores pulmonares.

Operação Sangria

Nesta terceira fase da Operação Sangria deflagrada nesta segunda-feira (30), que investiga prática de crimes de organização criminosa, fraude a licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União (CGU) cumpriram quatro mandados judiciais de busca e apreensão expedidos pelo ministro Francisco Falcão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), todos na capital amazonense. Os alvos foram, o chefe da Casa Militar do Governo, coronel PM Fabiano Bó, que teve seu gabinete na sede governamental revistado pelos agentes e prestou depoimento, outro alvo foi o secretário executivo do interior, Cássio Roberto do Espírito Santo, que também prestou esclarecimentos. Outros mandados foram cumpridos na sede da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Governo

Segundo a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, o governador Wilson Lima faz parte do esquema que faturou milhões na compra e venda de ventiladores pulmonares. “Angariar importantes elementos que corroborem a participação dos servidores nos fatos investigados, mas também que robusteçam o acervo probatório em relação ao mandante do esquema ilícito, o governador do estado do Amazonas, como amplamente demonstrado pelas provas já constantes dos autos”, diz.

Provas

Segundo a PF, foi possível identificar com os elementos de provas colhidos na primeira e segunda fase da Operação Sangria, o envolvimento de servidores do alto escalão da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) que “direcionaram em favor de uma empresa investigada uma licitação cujo objeto seria a aquisição de respiradores pulmonares, sob orientação da cúpula do governo do Estado”, diz a nota.

Transporte

Uma informação importante divulgada pela PF é que os ventiladores pulmonares adquiridos pelo Governo na loja de vinhos, foram transportados pelo próprio Governo antes mesmo de ser aberto e concluída a licitação de aquisição dos equipamentos. A chegada desse avião foi acompanhada pessoalmente pelo governador do estado. “Antes da abertura da licitação, a empresa investigada adquiriu parte dos respiradores pulmonares em outro Estado brasileiro. Após a aquisição, o próprio Governo do Amazonas trouxe, mediante transporte aéreo, os equipamentos adquiridos pela empresa, custeando o frete”, informa.

Triangulação

Assim que os ventiladores pulmonares chegaram em Manaus, a empresa investigada, repassou os equipamentos a loja de vinhos. “Em seguida, houve a atribuição da dispensa de licitação fraudulenta em favor da empresa distribuidora de bebidas, a qual entregou os produtos que a empresa investigada já tinha adquirido de fornecedores e o próprio Governo do Amazonas os transportou para Manaus no dia anterior à contratação da empresa de vinhos. As triangulações realizadas entre as empresas investigadas, bem como o fretamento aéreo dos respiradores pulmonares custeado pelo Governo do Amazonas, aumentaram a margem de lucro ilícita dos investigados. Destaca-se que o Edital de dispensa de licitação é explícito que tais custos deveriam ficar à cargo da empresa contratada, e não do governo”, consta.