Um mês de impunidade: “há mandantes poderosos que deram ordem para meu atentado”

O atentado ganhou repercussão no cenário mundial com o pronunciamento de diversas instituições e órgãos que apoiam o trabalho do jornalista e cobram a rápida resolução do caso para identificar e punir os responsáveis pelo atentado

Manaus – Injustiça, impunidade e suspeitas. Hoje, completa um mês em que este jornalista, apresentador do programa ‘AMAZONAS DIÁRIO’ sofreu atentado contra a sua vida. Nós sabemos perfeitamente que os covardes que me atacaram, no dia seguinte se arrependeram, porque perceberam que não tinham atacado apenas um jornalista, tinham atacado todas as pessoas que combatem a corrupção e o crime organizado no mundo. As maiores entidades do jornalismo do mundo reagiram à esse ataque covarde. O crime dá dinheiro, prestígio político e os criminosos que tentaram me intimidar continuam impunes, infelizmente. Não vou me calar diante disso, não foi crime de ódio de uma pessoa, mas um crime de ódios, de movimentos de ódios, um movimento político criminoso que precisa ser revelado.

 

Investigações sobre o atentado

Poucos dias após o atentado, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), publicou uma matéria expondo que entrou em contato com as assessorias do Secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). Estes órgãos confirmaram por e-mail que a polícia abriu uma investigação sobre o ataque, mas se recusaram a compartilhar informações adicionais.

 

Proteção aos jornalistas

A coordenadora do programa para a América Central do Sul do CPJ, pediu que as investigações sobre os responsáveis pelo atentado deveriam ser rápidas, minuciosas e os responsáveis responsabilizados. “Braga teve a sorte de escapar ileso desta vez, e as autoridades não devem permitir que seus agressores tentem novamente. Jornalistas como Braga desempenham um papel vital, garantindo transparência nas despesas públicas e devem poder informar o público sem arriscar suas vidas”.

 

Repercussão mundial

O atentado ganhou repercussão no cenário mundial com o pronunciamento de diversas instituições e órgãos que apoiam o trabalho do jornalista e cobram a rápida resolução do caso para identificar e punir os responsáveis pelo atentado. De acordo com o diretor do escritório na América Latina dos Repórteres sem Fronteiras (RSF), organização internacional de imprensa, Emmanuel Colombié, os jornalistas devem ser livres para realizar o seu trabalho. “assegurar proteção e segurança para que jornalistas possam realizar o seu trabalho, fundamental para o bom funcionamento da democracia e ainda mais importante em meio à crise sanitária, também é responsabilidade da esfera pública“.

 

O atentado

Conduzido pelo jornalista Alex Braga, o ‘Amazonas Diário’ do Grupo Diário de Comunicação (GCC), foi ao ar no dia 8 de junho com o objetivo de investigar e denunciar os esquemas do colarinho branco no estado e desde o início, o apresentador sofre constantes ameaças daqueles que tentar ocultar a verdade. No dia 23 de julho, criminosos em dois carros, encurralaram o apresentar e seu amigo cinegrafista, Laurismar Sampaio, após saírem da emissora, na Avenida Djalma Batista, bairro Chapada. Um troller azul bateu contra a traseira do carro do apresentador e logo em seguida foi agredido covardemente e ameaçado. “Você está incomodando muita gente no seu programa. Vou te matar”, falou um dos suspeitos.