Wilson Lima, a vida da dona Marinete está nas suas mãos

Abandonada e esquecida pelo governo do Amazonas, Marinete Santiago Teixeira de 59 anos está debilitada, sem forças e mal consegue se alimentar ou falar

Manaus – Nós já contamos diversas histórias de vidas amazonenses que lutaram ou ainda lutam contra o péssimo serviço de saúde pública. Algumas dessas vidas perderam a batalha. São famílias sofrendo ao verem seus entes queridos definhando dia após dia sem o socorro necessário daquele que deveria prestar a assistência, conforme consta na Constituição Brasileira que “estabelece que a saúde é um dever do Estado”. O governo do Amazonas está cumprindo o que é direito do povo?

Descaso

Abandonada e esquecida pelo governo do Amazonas, Marinete Santiago Teixeira de 59 anos está debilitada, sem forças e mal consegue se alimentar ou falar. A amazonense passa a maior parte do dia sentada, com as pernas inchadas, em um sofá em uma única posição onde sente menos dores. Ela aguarda há mais de três meses por uma cirurgia no ovário. Por causa do tempo, muitas marcas apareceram no corpo, escoriações e feridas inflamadas fazem parte do dia a dia.

Família

Após muitas dores, após exames descobriu que Marinete tem um cisto no ovário esquerdo. Marinete tem 13 filhos e cuidava dos netos da sua filha Mara Santiago, que hoje cuida da mãe que sofre com o descaso do Poder Público. “A gente está se revezando para cuidar da minha mãe porque não está sendo fácil essa luta. Minha mãe é nova, tem 59 anos, trabalhou a vida toda e agora se encontra assim, toda inchada com esse cisto”, lamenta a filha.

Indignação

Em pouco tempo, a saúde de Marinete se debilitou muito. Segundo a filha, Mara Santiago, a mãe precisa de urgência da cirurgia para ter a sua vida de volta. “A gente quer uma responsa das autoridades, não aguentamos mais. Fui no Instituto da Mulher Dona Lindú e só me passaram um encaminhamento para levar ela no Cecon, lá não me explicaram nada, só deram remédio e não a internaram para ajudar. Minha mãe não pode ficar assim, tem toda uma vida pela frente”, diz.

Vida

Antes da doença, Marinete trabalhava, cuidava dos netos e tinha uma vida totalmente ativa. Atualmente, sem falar ou se mexer, a amazonense fica sentada no sofá escorada em edredons. “Ela só fica nessa posição nesse sofá, já tentamos colocar ela na rede por ser mais confortável mas ela não quer, é o tempo todo com dor, 24 horas com dor e isso não é normal. Estamos fazendo automedicação com ela, porque os médicos passaram apenas paracetamol (medicamento indicado para dores leves e moderadas, para ser utilizado na redução de dores relacionadas à resfriados, como dor de cabeça ou garganta), mas ela não está mais conseguindo engolir”, explicou a filha.

Dificuldade

Sem receber nenhum auxílio financeiro do Estado, por não possuir aposentadoria, a família passa por dificuldades. “Eu não entendo como em apenas três meses minha mãe ficou nesse estado de saúde, principalmente pelo tamanho do inchaço nas pernas dela, a gente chega na unidade de saúde e eles não fazem nada, nenhum exame, não me explicam nada. Não me falaram se ela está com câncer, falaram apenas que estava com um cisto. A cirurgia dela está marcada para 15 de janeiro, mas não sei se minha mãe vai estar bem até lá. É uma corrida contra o tempo”, desabafou.

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