Wilson Lima foi avisado desde agosto sobre a segunda onda da Covid em Manaus

Se o governo não desempenhar ações efetivas, Manaus pode sofrer com mais uma onda da Covid-19

Manaus – Já são oito meses desde o primeiro caso registrado, mas o governo do Amazonas continua tomando decisões equivocadas e presenciamos o aumento significativo de mortes com o registro de 23 óbitos por dia. De acordo com pesquisador da Fiocruz Amazônia, o epidemiologista Jesem Orellana – apesar da extrema gravidade da situação da epidemia – este cenário continua sendo minimizada pelas autoridades sanitárias. Se o governo não desempenhar ações efetivas, Manaus pode sofrer com mais uma onda da doença.

Alerta ao governo

Segundo o pesquisador da Fiocruz, que já havia sido divulgado, desde agosto do ano passado, diversos alertas da grave ameaça de uma segunda onda, “Manaus, novamente mergulhou no caos”. Orellana continua: “Por mais evidente que a segunda onda seja (início nas primeiras semanas de agosto de 2020), olhando três indicadores, como o de casos confirmados por data de notificação, incidência da síndrome respiratória aguda grave ou de mortes por Covid-19, a extrema gravidade da situação da epidemia segue sendo minimizada pelas autoridades sanitárias”, lamentou.

Casos notificados

Apenas de agosto a dezembro, foram confirmados 46.626 em Manaus, representando 56,7% do total de notificações ao longo de toda a epidemia, período de maior disponibilidade de testagem. “O aumento na testagem nada tem a ver com significativa ampliação de sua cobertura em toda a população. Ao contrário, sabemos que segue baixa e muito aquém de qualquer estratégia efetiva que visa a identificação precoce de casos e de seus contatos, no intuito de quebrar as cadeias de transmissão viral. Portanto, como testa pouco e mal, o fato de termos identificado em torno de 47 mil casos de agosto a dezembro de 2020, nos leva a crer que é muito provável que o número real de novas infecções pelo vírus seja bem maior do que os serviços de saúde conseguem precariamente notificar”, relatou.

Número é maior

De acordo com o epidemiologista, o número de casos é três vezes maior, em torno de 150 mil novas infecções nesse período e os dados de mortalidade é subnotificado. “ (Isso) Mostra o tamanho da tragédia sanitária que assola Manaus pela segunda vez seguida, já que de agosto a dezembro, foram notificadas perto de mil mortes. O mais triste destas estatísticas é que pelo menos metade dessas mortes poderiam ter sido evitadas, caso os conselhos dados e publicados em revistas científicas de grande tradição internacional e na imprensa, tivessem sido levados a sério e não alvo de desprezo”, enfatizou.

Leitos de UTI

O despreparado do governo do Amazonas em lidar com as emergências sanitárias é notório. “Reafirmamos que as medidas tomadas pelo governo foram tardias e estão custando não apenas milhões de reais aos cofres públicos, devido aos espantosos gastos com assistência médico-hospitalar não planejada, bem como milhares de mortes que poderiam ter sido evitados. A suspensão das atividades não essenciais é tardia e não alivia o quadro. Na realidade, nos próximos dias, as internações de pacientes graves e de mortes devem continuar acontecendo em níveis muito altos. Caso sigamos com essa mesma equipe administrando a epidemia e a vacina seguir o ritmo lento e mortal proposto pelo Ministério da Saúde, já podemos esperar uma terceira onda em Manaus”, explicou.

*Apresentador do AMAZONAS DIÁRIO

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