Wilson Lima, quem matou Sofia, Neuraci, Junio e Catiane?

Este 2 de novembro é o primeiro Dia de Finados após o auge da pandemia de Covid-19. O Amazonas foi um dos Estados mais afetados com a chegada do vírus

Manaus – Hoje é um dia de tristeza, um dia de luto eterno. Este 2 de novembro é o primeiro Dia de Finados após a pandemia do novo coronavírus. O Amazonas foi um dos Estados mais afetados com a chegada do vírus. Foram centenas de famílias que choraram a partida dos seus entes queridos. São famílias que buscam se manter unidas para passar por essa imensa dor. Muitos que morreram esperaram por dias e até meses por um atendimento em uma unidade de saúde, mas, esse atendimento – quando veio – foi tarde demais. Nesta coluna vamos contar algumas histórias de amazonenses que se foram, mas que sempre estarão na memória de quem acompanhou ou viveu o caos da saúde pública.

Profissional da saúde

No início de abril, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), afirmou que nenhum profissional da saúde do Estado teria morrido pelo vírus. Sofia Pinheiro da Silva, 64, trabalhava no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, há 20 anos. Conforme o filho da técnica em enfermagem, no dia 20 de março ela suspeitou que estava com o novo coronavírus e foi afastada de suas funções. No dia 1º de abril, Sofia chegou a ser testada, mas o exame deu negativo. Os sintomas se agravaram e no dia 3 ela foi internada no 28 de Agosto. Já no sábado, o Estado de saúde dela piorou e ela foi transferida para o Hospital Delphina, onde passou por nova testagem que deu positivo. O resultado do exame saiu na terça-feira e dois dias depois, morreu. Sofia era viúva e deixou 10 filhos.

Indígenas

A indígena da etnia Tikuna Neuraci Ramos, 44, ficou internada por cerca de seis meses aguardando um procedimento cirúrgico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tabatinga por falta de material. Ela foi transferida para o Hospital de Guarnição de Tabatinga e ficou aguardando transferência em UTI aérea de Tabatinga, no interior do Amazonas, para Manaus. O transporte aéreo que iria realizar a remoção, apresentou pane no momento em que a indígena, diagnosticada com o novo coronavírus, estava embarcando na aeronave, após seis dias aguardando, não resistiu e morreu. Neuraci era dona de casa e mãe de sete filhos. Em sua certidão de óbito consta como causa da morte, pancreatite aguda, cálculos de via biliar e Covid-19.

Saúde do homem

Junio Figueiredo, 35, descobriu o câncer de cabeça após sentir muitas dores na cabeça e sangrar pelo nariz. Depois de aguardar dias por exames mais completos e de extrema necessidade no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, a família denunciou ao ‘Amazonas Diário’. Além de aguardar por exames, transferência para a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) e aguardar mais de três meses para realizar uma cirurgia. Junio não resistiu e morreu no final de setembro.

Saúde da mulher

Depois de ser diagnosticada com câncer de mama, Catiane Felix, 41, estava há mais de um ano e três meses internada na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon). A família inconformada com a demora do hospital, denunciou o caso para o ‘Amazonas Diário’. Mas, infelizmente, Catiane que estava na luta pela vida, acabou perdendo e faleceu internada no hospital público, no final de agosto.

*Apresentador do programa AMAZONAS DIÁRIO

Anúncio