Zona Norte recebe R$ 82,8 milhões e aplica apenas R$ 1,8 milhão no Hospital Delplina Aziz

O elefante branco do Amazonas, Hospital e Pronto-Socorro Delphina Abdel Aziz é palco do mais novo escândalo de corrupção do Governo do Estado

Manaus – O elefante branco do Amazonas, Hospital e Pronto-Socorro Delphina Abdel Aziz é palco do mais novo escândalo de corrupção do Governo do Estado. As duas empresas que administram a unidade de saúde, passaram a receber, durante a pandemia de Covid-19, cerca de R$ 30 milhões mensais. Mas comprovantes mostram que uma dessas empresas, o consórcio Zona Norte Engenharia, investiu apenas R$ 1,8 milhão em benfeitorias e insumos para o hospital. O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU), investiga o repasse de R$ 82,8 milhões do governador do Amazonas, Wilson Lima, para esse consórcio contratado por meio de parceria público privada (PPP). Esse consórcio vai receber até 2033 cerca de R$ 2,5 bilhões para serviços no hospital.

Ministério Público

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), está na mira do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), pois é suspeito de liberar, entre fevereiro e agosto deste ano, a quantia de R$ 82,8 milhões para um consórcio contratado por meio de parceria público privada (PPP). O consórcio Zona Norte Engenharia que é responsável por manter a estrutura do Hospital e Pronto-Socorro Delphina Abdel Aziz.

Combate ao vírus

O valor destinado pelo Governo do Amazonas deveria ser para equipar e gerir hospitais usados na linha de frente ao combate do novo coronavírus. Contudo, na prática, não foi o que ocorreu, segundo notas de empenho pagas pelo governo. De acordo com os comprovantes analisados pela Polícia Federal, apenas R$ 1,8 milhão do montante de R$ 82,8 milhões, foi investido em benfeitorias e insumos no Hospital Pronto-Socorro Delphina Abdel Aziz e a Unidade de Pronto Atendimento Campos Sales, os dois geridos pelo consórcio Zona Norte Engenharia.

R$ 82 milhões

Como num passe de mágica, o Governo do Amazonas realizou em poucos meses, transações milionárias para o Zona Norte Engenharia e isso chamou atenção nas investigações. Só em 2019, o consórcio recebeu R$ 22,9 milhões e apenas no primeiro semestre de 2020, foram mais R$ 82,8 milhões destinados. Todo o material, provas e documentos é alvo de investigação na Operação Sangria que investiga na cúpula do Governo do Amazonas e na Secretaria de Estado de Saúde, a prática de fraude, desvio de recursos públicos e organização criminosa que utilizaram os recursos públicos destinados ao enfrentamento da pandemia.

Recursos Públicos

As duas empresas que administram o Hospital Delphina Aziz, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) e a Zona Norte Engenharia, Manutenção e Gestão de Serviços S.A., recebem por mês R$ 30 milhões. Se compararmos o valor absurdo recebido por um único hospital, vamos constatar que o valor é muito maior do que três hospitais da capital amazonense de “porta aberta” que recebem e atendem qualquer situação de saúde. Juntos, o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio e Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo recebem R$ 120 milhões por ano.

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