A ONU acabou

O golpe seguinte está sendo a invasão ignóbil da brava Ucrânia pela Rússia autoritária do controverso, política e moralmente, Vladimir Putin

O fim da Primeira Grande Guerra significou também a inteira desmoralização da Liga das Nações. O término da Segunda Grande Guerra se caracterizou, da parte vitoriosa, pela reordenação da ordem econômica internacional (emergência do Banco Mundial, Fundo Monetário e de outros instrumentos realmente inovadores) e pelo estabelecimento substitutivo da finada Liga das Nações, que foi a Organização das Nações Unidas – ONU.

É de se registrar que a nova potência dominante, primeiro no ocidente e depois no mundo inteiro, os Estados Unidos da América, engendrou e comandou a aplicação do Plano Marshall, com o objetivo de reerguer economias arrasadas ou muito enfraquecidas pelo esforço de guerra. A ONU, cujo primeiro presidente da sua sessão anual de Abertura foi o grande brasileiro Oswaldo Araújo, eminente filho do Rio Grande do Sul, viveu momentos de realizações e glórias.

A decadência iniciou seu trabalho deletério silenciosamente. Um dos pontos mais marcantes da queda foi o bombardeio unilateral, isto é, à revelia da ONU, ordenado pelo presidente George Walker Bush. Essa precipitação custou muita credibilidade a um órgão que nasceu para lutar pela paz, mediar entendimentos entre nações em contendas comerciais, territoriais, raciais e militares. Mas a Organização das Nações Unidas perdeu peso e logo entrou em cena o debate sobre duas hipóteses: reforma radical da ONU, incluindo a delicada reformulação do seu Conselho de Segurança e, atitude mais drástica, o desmonte da estrutura atual, que seria substituída por uma entidade nova, prestigiada, obviamente sem desgastes, contemporânea e resolutiva.

O golpe seguinte está sendo a invasão ignóbil da brava Ucrânia pela Rússia autoritária do controverso, política e moralmente, Vladimir Putin. Como acredito que a China apóia Putin, apenas porque deseja anexar Taiwan, que detém um quase monopólio mundial dos semjcondutores, também acima da “autoridade” das Nações Unidas. Pode ser o golpe final numa entidade que nasceu no pós-guerra e prestou muitos serviços à paz e à humanidade, porém, hoje, se esvazia visível e lamentavelmente.

Resta decidir: fim ou reforma radical da ONU, dando espaço ao surgimento de uma entidade nova e forte, conectada com o mundo real e capaz de promover a paz, o desenvolvimento e extinguir a pobreza e a fome onde esses males estiverem vivos.

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