Não à violência política, sim à democracia

Não podemos retroceder à barbárie, aos crimes cometidos por motivação política

Manaus – Estamos no ano de 2022, quase um quarto do século XXI, e nesse momento de nossas vidas não podemos retroceder à barbárie, aos crimes cometidos por motivação política, ao desrespeito às convicções alheias, mesmo que elas nos desagradem ao extremo e vá contra todas as nossas convicções. No mínimo, devemos ter um pouco mais de paciência e de civilidade. Devemos educar, dar bons exemplos e buscar o bom senso e o consenso.

O Brasil já viveu experiências dolorosas onde não existiam espaços para a liberdade. Muitos dos nossos pereceram, submetidos à tortura ou simplesmente foram obrigados a deixar o Brasil, como meu pai, o senador Arthur Virgílio Filho. É uma história triste que não queremos que se repita jamais. Também vivemos durante séculos, inclusive, sob a intolerância política, quando era mais fácil eliminar seus adversários, sem qualquer punição muitas vezes, que praticar política, ou seja, dialogar para encontrar o ponto de convergência.

Vivemos dias intranquilos com o retorno desse panorama pouco animador e pouco civilizado. E aplaudimos a todos os que estão fazendo algum esforço para evitar que as próximas eleições sejam manchadas pela violência, especialmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que nesta última semana criou um grupo de trabalho, que será presidido pelo amazonense Mauro Campbell Marques, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, para sugerir as diretrizes e disciplinar as eleições deste ano. Muito sábia a decisão do presidente Edson Fachin.

A iniciativa do TSE em criar esse grupo de trabalho está cheia de razões, principalmente em função de inúmeras denúncias que têm chegado ao órgão sobre agressões a parlamentares e jornalistas. Esperamos que, durante as atividades desse grupo de trabalho nas audiências públicas e debates que serão realizados com os partidos políticos, a Ordem dos Advogados, Ministério Público Eleitoral e sociedade civil encontrem os caminhos para evitar esse desfecho que não queremos, de forma alguma.

Vamos exercer nossa cidadania com consciência e com vontade de fazer o bem para o Brasil. Vamos dizer não à violência em todas as suas formas e também na política. Isso significa dizer um sim bem grande à democracia, pela qual tanto lutamos.

 

* É diretor do Núcleo de Educação Política e Renovação do Centro Preparatório Jurídico e atual presidente do PSDB no Amazonas. Diplomata, foi por 20 anos deputado federal e senador, líder por duas vezes do governo Fernando Henrique, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, líder das oposições no Senado por oito anos seguidos e três vezes prefeito da capital da Amazônia.

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