Nunca fui dos que desistem

Irei até o fim porque tenho mensagens importantes para dar ao meu país, especialmente aos tucanos

Começamos nossa caminhada rumo às prévias do PSDB e, esta semana, tive um bonito encontro com lideranças e militância do partido em Goiânia. Fomos recebidos pelo ex-governador de Goiás e presidente interino do PSDB-GO, Marconi Perillo, meu irmão de coração e um bravo companheiro de luta política e partidária. Sinto-me honrado e feliz com o apoio e carinho demonstrados por todos. Com eles tive uma conversa franca, não de discursos eleitorais, mas uma conversa olho no olho sobre assuntos que são realmente muito prementes e preocupantes para o nosso Brasil.

Antes, quero dizer da minha surpresa com as notícias dando por certa minha desistência das prévias do meu partido. Não se enganem, eu jamais fui de desistir de nada, nunca. Irei até o fim porque tenho mensagens importantes para dar ao meu país, especialmente aos tucanos. Tenho convicções muito profundas e não me afasto delas. Quem acompanha minha vida pública sabe disso e eu tenho orgulho de olhar para o passado e saber que não desmonto as minhas crenças, que travei desde sempre as grandes lutas a favor da democracia, em defesa da Amazônia e dos direitos plenos dos cidadãos, assim como o compromisso com uma economia forte, saudável, que gere emprego, renda e novas perspectivas de vida para a população.

Pois bem, nas conversas que tive em Goiânia e que terei em outras cidades que estarei visitando nos próximos dias e meses, como Brasília onde estarei nesta segunda-feira, darei o meu recado, simples e direto. Primeiro ao meu partido, porque tenho a clareza de que a única saída para o PSDB voltar a ser grande e magnífico é a unidade e a união. Já não cabem vaidades, projetos pessoais. As prévias devem se dar no campo das ideias, no debate saudável e respeitoso.

O outro recado, e esse também repetirei até a exaustão, é o da defesa incondicional da Amazônia. Infelizmente, a maioria dos brasileiros que amam a Amazônia e suas belezas exóticas não sabem do risco que corremos com o exorbitante crescimento das queimadas e dos desmatamentos. Deixem as árvores em pé, porque em pé elas combatem o aquecimento global. É uma teimosia brutal continuar a destruir a floresta e, com isso, caminhamos para tornar o mundo impossível de ser habitado por seres humanos. É esse o legado que queremos deixar? E a isso se junta a ameaça à soberania brasileira sobre a Amazônia, porque não cumprimos o que acordamos com os demais países para reduzir os riscos do aquecimento global. Ignoramos, de forma vil, que o futuro do Brasil está na Amazônia, que ela é a resposta para gerarmos mais riquezas, emprego, renda, desenvolvimento social e respeitabilidade mundial.

O terceiro recado é que precisamos deter os ataques à democracia. E o PSDB tem o dever de liderar a caminhada para consolidar a democracia brasileira e colocá-la entre as mais fortes e consistentes do mundo. Podemos ou não fazer um presidente na próxima eleição, mas esse não é o ponto mais relevante. O relevante é formar uma frente ampla democrática, capaz de barrar, em definitivo, esses surtos de ameaça à liberdade, às instituições, à independência e harmonia entre os poderes, enfim, barrar qualquer projeto engendrado por aqueles que temem uma sociedade livre, educada e saudável em todos os aspectos.

Vamos à luta! O Brasil só tem a ganhar.

 

*Diplomata, é diretor do Núcleo de Educação Política e Renovação do CPJUR – Centro Preparatório Jurídico, foi deputado federal e senador, líder por duas vezes do governo Fernando Henrique, Conselheiro da República, ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, líder das oposições no Senado por oito anos seguidos, três vezes prefeito da capital da Amazônia.

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