Unir os brasileiros e pôr fim à cultura do ódio

A proposta foi defendida por Arthur Neto durante painel de conversa com os presidenciáveis, realizado pela presidente nacional do PSDB-Mulher, Yeda Crusius

Está na hora do Brasil unir os brasileiros e enterrar, de vez, a política do ódio, da divisão atrasada do nós contra eles. Essa foi a proposta macro que defendi no painel de conversa com os presidenciáveis, que vem sendo realizado pela presidente nacional do PSDB-Mulher, Yeda Crusius. Ela conversa, como foi comigo, com os candidatos às prévias do partido para presidência da República. Minha proposta fundamental é unir os brasileiros.

Em economia, proponho absoluta austeridade fiscal, cortando forte no forte no custeio para gerar mais recursos aos tão necessários investimentos. Faremos as privatizações e concessões onerosas para fortalecer a economia brasileira, sem custos para o Estado, que será credor de impostos e não mais sustentáculo de empresas que, no resultado final, sempre dão prejuízo. Proponho reciclagem e valorização dos servidores públicos. Sou por um Estado nacional forte e menor, infraestrutural e não empresário, e por uma economia liberal, com algumas ressalvas. Farei o Brasil caber no seu orçamento. Não haverá déficit primário e reduziremos, intensamente, o déficit nominal, com o objetivo ambicioso de, na verdade, zerá-lo.

Temos hoje 14 milhões de desempregados e seis milhões de pessoas que desistiram de procurar emprego. Então – num eventual governo dirigido por mim – criar empregos será uma prioridade fundamental. Terei absoluto compromisso com a reforma fiscal, como fiz em Manaus durante três mandatos e que colocou a capital da Amazônia como a “menina dos olhos” da Secretaria do Tesouro e das instituições financeiras nacionais e internacionais.

Temos muito a fazer na economia brasileira, como no capítulo urgente das privatizações. Penso em tirar do gesso o orçamento da União, lutar pelo estabelecimento de um novo pacto federativo mais justo e generoso com estados e municípios.

Não tem razão, por exemplo, o Ministério da Saúde (MS) deter tantos recursos, estamos todos vendo a confusão que isso está dando em plena pandemia. Por que não repassar os recursos todos de uma vez para estados e municípios que enfrentam os problemas do dia a dia? O Ministério da Saúde quase não tem hospitais para administrar e, por essa razão, não deveria prender o dinheiro que, no fundo, guarda para fazer barganhas políticas.

Quero governar em cima de um projeto estratégico de país, firmando uma maioria parlamentar sólida para fortalecer a democracia e tocar as reformas estruturais. Vamos manter diálogo permanente com aliados e adversários, porque na democracia temos que dialogar com os opositores da mesma forma que dialogamos com os que pensam como nós. Em viagens oficiais ao exterior, provocarei, inclusive, a presença de um membro governista e outro oposicionista do Senado e da Câmara dos Deputados. Vamos dar transparência a essas missões diplomáticas e possibilitar fiscalização bem de perto por parte da oposição.

Quanto às Forças Armadas, vamos prepará-las para virar uma potência defensiva, é a melhor forma de proteger a soberania nacional e a posse da Amazônia. Precisamos proteger nossa Amazônia, proteger nossas águas, que certamente valerão mais que petróleo na segunda metade deste século. Precisamos valorizar e investir mais em ciência e pesquisa, nos PhDs formais e no enorme saber dos nossos índios e das populações tradicionais. A Amazônia sempre foi, e sempre será, uma das minhas, inarredáveis, bandeiras de luta.

Na diplomacia, o Brasil precisa ser líder inconteste da América do Sul. Hoje, nossa diplomacia está em crise, somos um país desacreditado pelos brasileiros e perante os olhos do mundo. O Brasil precisa mudar radicalmente a política externa vigente, recuperar o prestígio e assumir papel de solucionador de crises, sempre amparado por entidades internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), além dos países do G7. Pretendo resgatar a justa fama de excelência do Instituto Rio Branco, que voltaria a ter exames mais duros para futuros diplomatas, como também proporei a extinção de embaixadas brasileiras que não tenham razão prática de existir. Isso também é controle de gastos públicos.

A minha ideia é partir, se candidato for, para uma chapa em que eu seja postulante à presidente e uma mulher valorosa aceite compor como vice-presidente. Temos uma luta a travar quando se fala da mulher na política e sobre a necessária busca pela igualdade de gênero para avançarmos na direção de um país mais justo e equilibrado. Sou contra o racismo, contra a homofobia e sou a favor de apertar a legislação contra o feminicídio. Defendo um projeto nacional de segurança pública, com foco no combate ao narcotráfico. E defendo políticas públicas robustas para atender pessoas com deficiências. Coloco a democracia acima de tudo, sem liberdade não se avança para prosperidade econômica e nem para estabilidade política.

O PSDB há anos não fala em parlamentarismo, um pecado mortal. Precisa reinventar-se, nunca tirando ‘P’ do partido. Outros fizeram, mas é uma falsa mudança, mera medida cosmética, sem profundidade nenhuma. Estou propondo um congresso para atualizarmos o conceito de social democracia, porque o que nasceu na fundação do partido está, obviamente, superado. A ideia é contemporaneizar a definição de social democracia, tanto no viés político como econômico. A luta vale a pena.

 

*Diplomata, foi deputado federal, senador, líder por duas vezes do governo Fernando Henrique Cardoso, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, líder das oposições no Senado ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e três vezes prefeito da capital da Amazônia – Manaus

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