Violência contra a mulher: um crime intolerável

Estupro corretivo, estupro entre casais, estupro de casamento não consentido, estupro ordenado para punir. E eu me pergunto: evoluímos?

Manaus – Nesta última semana, o país foi balançado por imagens e notícias chocantes, para dizer o mínimo, de um profissional de saúde, um médico anestesista, que induziu uma paciente à condição de vulnerabilidade, ao sedá-la para o parto, e praticou violência sexual durante o ato cirúrgico. É aterrador, tanto o crime quanto o sentimento de impotência.

Atos de violência contra as mulheres me causam profunda revolta e nos coloca, todos os seres humanos, de volta à Idade Média, à idade das trevas, onde o patriarcado instalado em toda a sua potência estabeleceu a mulher como mercadoria que poderia ser arrebatada, violada e trocada. E o estupro também foi alçado como instrumento de poder e controle. Estupro corretivo, estupro entre casais, estupro de casamento não consentido, estupro ordenado para punir. E eu me pergunto: evoluímos?

Intelectual e moralmente podemos dizer que já superamos esse estado, ao menos alcançando instrumentos à Justiça para punir. Aí nos deparamos com essas mostras de relações machistas que se dão, aparentemente, para institucionalizar uma hierarquia de poder, com a força bruta e a barbárie de uma atrocidade cometida contra um ser vulnerável (pessoas sob o efeito de álcool, com medo, emocionalmente abaladas, crianças e idosos, apenas para citar alguns exemplos).

Estupro não é sexo, é violência na sua forma mais brutal. É um crime que deve ser combatido e jamais justificado. Temos que manter os olhos abertos e vigilantes. Temos que fortalecer toda a rede de proteção das mulheres, desde as delegacias especializadas, até o atendimento personalizado para o enfrentamento da violência praticada contra a mulher e, muito fortemente, preparar a sociedade e as autoridades envolvidas para o acolhimento correto e não a apatia e o preconceito com que hoje ainda são tratadas as vítimas de violência.

Que encontremos a luz, como sociedade e individualmente, para sairmos da idade das trevas, definitivamente.

 

 

*Arthur Virgílio Neto é diretor do Núcleo de Educação Política e Renovação do Centro Preparatório Jurídico e atual presidente do PSDB no Amazonas. Diplomata, foi por 20 anos deputado federal e senador, líder por duas vezes do governo Fernando Henrique, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, líder das oposições no Senado por oito anos seguidos e três vezes prefeito da capital da Amazônia.

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