O fator psicológico na educação básica

Com uma economia de montanha russa, as expectativas das famílias sobre as nossas crianças e adolescentes chegam a níveis imensuráveis

Manaus – Em um mundo cada dia mais competitivo, com uma economia de montanha russa, as expectativas das famílias sobre as nossas crianças e adolescentes chegam a níveis imensuráveis. Para enfrentar esse desafio, o primeiro passo é sempre a escola. No entanto, diante da pressão sobre os nossos filhos, a comunidade precisa de um ambiente escolar que vá além da relação professor/aluno. Um lugar que seja inclusivo para crianças com deficiência, com transtornos como o autismo ou até mesmo com inteligência além do senso comum.

Como falamos no artigo da semana passada, precisamos reforçar o time das escolas da educação básica, com a inclusão de psicólogos e assistentes sociais. Reforço essa necessidade, porque, num cenário cheio de cobranças e diferenças sociais, estudos apontam que é alto o número de crianças e adolescentes de escolas públicas que sofrem com transtorno de ansiedade, síndromes de depressão e a tendência suicida. Um problema social que a escola pode ajudar a amenizar e controlar, com a ajuda de especialistas que reforcem as estratégias pedagógicas, para entender e atender as diferentes necessidades.

Sem os devidos cuidados com a saúde mental, o desempenho escolar quase nunca é dos melhores e a perda da autoconfiança pode gerar prejuízos da infância à fase adulta. Desde os anos 1960, pesquisas dão conta de que a depressão pode ocorrer também em crianças. Além dos fatores afetivos, elas também apresentam transtornos cognitivos, de comportamento, motivação ou fisiológicos. Sintomas que muitas das vezes não são entendidos pela família nem mesmo pelos professores, o que pode agravar a tendência de autodesvalorização.

Os estudos apontam que, desde os anos 1990, a taxa de incidência de sintomas depressivos em crianças e adolescentes no Brasil vem em uma linha crescente, principalmente em função das diferenças regionais, socioeconômicas e culturais. Para enfrentar esse mal, que invade silenciosamente a vida dos nossos filhos e causa prejuízos à memória, entender a importância do fator psicológico é de extrema relevância, em termos de estratégias pedagógicas motivacionais, que colaborem com a recuperação da autoestima.

Pelo conhecimento científico, é importante reforçarmos que o diagnóstico de crianças e adolescentes com depressão não é papel dos educadores, que já tem a função fundamental de ensinarem os nossos filhos. E por mais que se cobre do professor o conhecimento para que identifique o problema, ele ficará de mãos atadas com outras tantas responsabilidades que tem a responder nos turnos em que dá as suas aulas. Portanto, para uma ambiente que favoreça o processo de aprendizagem, Manaus precisa fazer valer a Lei número 13.935, que obriga a presença de psicólogos e assistentes sociais no ensino básico.

David Almeida*
deputado estadual da 15ª a 17ª legislatura, governador do Amazonas em 2017 e presidente estadual do partido Avante no Amazonas