Por uma Manaus ainda mais inclusiva

O último Censo, realizado em 2010, dava conta de que a quantidade de pessoas com deficiência, como a visual, a motora, a auditiva e a intelectual, representava 23,2% da população do Amazonas

Manaus – Uma Manaus inclusiva – como falamos na semana passada – deve partir do pressuposto que ela saiba de fato quem são os seus filhos e filhas que estão no grupo das pessoas com deficiência e que conheça fielmente quais são as suas necessidades. Para ir a fundo nesse cuidado que o poder público deve a elas, se faz urgente, e necessário, um novo censo que dê conta do número atual dessa parcela importante da população.

O último Censo, realizado em 2010, dava conta de que a quantidade de pessoas com deficiência, como a visual, a motora, a auditiva e a intelectual, representava 23,2% da população do Amazonas. Naquele momento, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontava que o percentual desse grupo tinha crescido 96,8% nos últimos dez anos.

Naquela época, o Amazonas contava com 790.647 pessoas com deficiência e só Manaus registrava 461.414. Mais de uma década já se passou, e o Amazonas, especialmente a capital, precisa de dados atualizados, para que, de forma responsável, possa lidar com esses cidadãos, que em boa parte – apesar da deficiência e do subemprego – são economicamente ativos, e, até mesmo uma parcela não sendo, precisa dos cuidados que os impostos podem pagar.

Uma cidade como Manaus, que concentra praticamente a metade da população amazonense – estimada em 4,1 milhões de habitantes -, pode ser modelo de inclusão. Estado e Município deveriam criar um centro especializado em reabilitação integral, a fim de garantir, por exemplo, que as crianças que nasçam com deficiência visual possam ter acesso a uma cirurgia de correção e ganhem a chance de enxergar. O censo de 2010 dizia que 651.262 amazonenses eram deficientes visuais, o equivalente a 82% das pessoas com deficiência no Amazonas.

Do mesmo modo, sendo Manaus a oitava cidade com maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, a partir de verba pública municipal, estadual, federal e Parcerias Público Privadas (PPPs), deveria ser modelo de acessibilidade, com calçadas dotadas de rampas, sem obstáculos; paradas de ônibus da mesma forma, bem sinalizadas e acessíveis; e um transporte público que verdadeiramente sirva com qualidade todos os usuários, especialmente a pessoas que precisam de uma cadeira de rodas ou de algum outro suporte para se locomover. Aquele velho censo dizia que o volume de pessoas com deficiência motora era de 209.932 amazonenses, o equivalente a 26,5% da população com deficiência do Estado.

Para além do direito de se locomover pela cidade, Manaus precisa tornar a linguagem de libras e o sistema de braile obrigatório, a fim de acolher com mais garantias as pessoas com deficiência auditiva e visual, respectivamente. E com um censo novo que mostre os dados atuais da nossa capital e do nosso Estado será possível planejar as políticas de inclusão, a fim de garantir dignidade às pessoa com deficiência e assim ajudá-las a superar a barreira do preconceito em todos os setores, principalmente aquelas disfarçadas de direito no mercado de trabalho e os obstáculos que as distanciam da convivência social.

*Deputado estadual da 15ª a 17ª legislatura, governador do Amazonas em 2017 e presidente estadual do partido Avante no Amazonas