BR-319, o ano perdido

A autorização foi dada em novembro de 2022 e as máquinas, que só começaram a agir em agosto passado, continuam em ritmo lento

O timing para acelerar obras urgentes da BR-319 durante o verão amazônico, ainda mais severo este ano com a estiagem recorde, foi perdido. Por isso levantei o dedo na primeira reunião do Grupo de Trabalho da BR 319, para demostrar minha insatisfação com o fato de que há exatamente um ano existe uma autorização para a construção de pontes de madeira e drenagem dos alagamentos em pontos fixos da estrada no trecho do meio (km 250-655) e nada ou quase nada foi feito ainda.

A autorização foi dada em novembro de 2022 e as máquinas, que só começaram a agir em agosto passado, continuam em ritmo lento. A gravidade disso? Já começou nosso inverno amazônico, a época de chuvas, e não tem como fazer ou avançar obras neste momento. E, tal qual a pedra de Sísifo, os mesmos pontos de alagamento vão alagar. As pontes de madeira derrubadas pela força do barro e da chuva, que já deviam ter sido construídas em concreto, vão continuar impedindo o ir e vir das pessoas.

Só em agosto desse ano, ou seja, dez meses depois de autorizadas, é que começaram as obras da ponte sobre Rio Curuçá, na BR-319. Dez longos meses depois da queda da estrutura que deixou cinco pessoas mortas e 14 feridas, em setembro de 2022. Sobre o rio Autaz Mirim, a segunda ponte caiu menos de dez dias depois, desabando sem vítimas, mas com muito estrago, como uma outra tragédia anunciada.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) precisa buscar a celeridade necessária de trabalhar durante os verões amazônicos, para sanar problemas que causaram e seguem alimentando tantas angústias e isolamento. Porque todos sabem que no Amazonas, sem estradas, na seca dos rios, o isolamento de alguns municípios ou comunidades, é absoluto. Locais onde sequer há pistas de aterrissagem, que dirá aeroportos ou voos de carreira.

É um absurdo gastar R$ 1 bilhão em manutenção de estradas de terra, quando já poderíamos estar dando andamento às obras das pontes de concreto e promovendo drenagens nos pontos críticos. Não tem conversa fiada, os pontos são os mesmos, mapeados pelo sofrimento das pessoas que passam por eles diariamente. Não tem como ser contra isso.

Sou um defensor do meio ambiente, sempre fui e serei. Mas nesse caso, é muito mais caro, ambientalmente e financeiramente, ficar fazendo remendos, em vez de recuperar urgentemente o trecho deteriorado e as pontes danificadas. Esse equilíbrio ecológico é mister, e dele faz parte a sobrevivência dos moradores ao longo da BR-319 e de todos os amazonenses.

 

*Eduardo Braga é senador da República pelo MDB, ex-prefeito e ex-governador do Amazonas

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