Covid-19: um salto para o futuro

A cura depende da capacidade de nos reinventarmos como sociedade e seres humanos

Manaus – Basta um reboot para destravar um computador, na maioria dos casos. Formatar o sistema pode ser a saída para recuperar a configuração original. Mas quando o pesadelo da Covid-19 passar, nem o reboot nem a formatação vão salvar economias destroçadas ou resgatar nossa rotina pré-coronavírus. A pandemia mostrou que a configuração original de nossas relações sociais, de nossos modelos políticos e econômicos está doente, corrompida. A cura depende da capacidade de nos reinventarmos como sociedade e seres humanos.

Sorte é que o instinto de sobrevivência tem renovado nossa determinação e quebrado a resistência a mudanças. União e solidariedade estão em alta. Sobram exemplos: doações milionárias de privilegiados; campanhas para moradores de rua; movimento de empresas contra demissões; esforços multilaterais em busca de remédios e vacina; apoio financeiro de instituições internacionais; a dedicação de profissionais de saúde.

Um país tem aprendido com erros e acertos dos demais, com dúvidas e avanços da ciência. Essa lição de humildade precisa ser seguida com urgência pelo Brasil.

É desumano alimentar conflitos internos e disputas de poder enquanto o País contabiliza mortes e enfrenta, com coragem, o isolamento social. Na política, é tempo de priorizar o diálogo e interesse público.

A economia também exige reinvenção. A desigualdade social é fratura exposta. O liberalismo mostrou seus limites. Teremos que deixar divergências de lado para trabalhar num plano de reconstrução nacional.

A semente de novas relações de trabalho é o homeworking e a evidência de que trabalhadores informais são o elo mais frágil do mercado. A renda básica emergencial é outra semente promissora na busca de maior proteção social. E quem mais duvida da necessidade de apoiar pequenas empresas e reforçar investimentos em saúde, pesquisa e inovação?

* Senador pelo MDB/AM

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