Dia Mundial do Meio Ambiente: para refletir e agir

Segundo o parlamentar, a conservação do meio ambiente e do homem que nele vive está acima de qualquer vaidade

Manaus – Na primeira quinzena de maio, durante audiência com congressistas do Norte, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, anunciou que em breve o Amazonas assumirá a dianteira no ranking do desmatamento no Brasil.

A notícia representa o fim de um capítulo importante da história do nosso território continental. Todo o trabalho pela conservação ambiental empreendido por décadas tem sido perdido em meio às queimadas, à contaminação do solo e da água e ao vazio de políticas públicas de valorização da floresta e dos seus guardiões.

Portanto, amanhã, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, nosso movimento deve ser na seguinte direção: adotar medidas assertivas além de intensificar as fiscalizações contra aqueles que ganham com a destruição do nosso patrimônio natural.

No caso do Amazonas, há um rico arcabouço legal e uma série de iniciativas bem-sucedidas que poderiam ter sido, pelo menos, aperfeiçoados e levados adiante. Refiro-me, por exemplo, à Lei de Mudanças Climáticas, instituída há 16 anos, justamente num 5 de junho.

Essa legislação, inédita no Brasil naquela época, materializou o propósito que idealizei no fim dos anos 90, depois de constatar pessoalmente as dificuldades de quem sobrevive em meio à floresta. Era imperativo salvar o meio ambiente e oferecer condições dignas aos amazônidas.

A partir dessa jornada transformadora, consegui legalizar a atuação dos cidadãos do interior que buscavam na natureza o necessário para si e suas família; criei o Bolsa Floresta – compensação financeira para quem ajudasse a preservar o bioma, e concebi a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), hoje sob a denominação Fundação Amazônia Sustentável, reconhecida internacionalmente por promover a qualidade de vida do povo da região por meio da valorização da floresta e de sua sociobiodiversidade.

Numa outra frente, intensifiquei as ações de promoção da Zona Franca de Manaus – o maior e mais bem-sucedido programa de conservação ambiental do mundo, é o que costumo dizer a quem quer que seja. Em 2010, já no fim do meu segundo mandato como governador, o modelo empregava diretamente 120 mil trabalhadores – um recorde histórico.

Com mais de 40 anos de vida pública, digo que não é impossível tirar o estado desse ranking de destruição mencionado pelo titular do Ibama. Olhar para trás, aproveitar as lições e reeditar o que deu certo não são atestados de fraqueza ou incompetência. A conservação do meio ambiente e do homem que nele vive está acima de qualquer vaidade.

Anúncio