Golpe e o Tchutchuca do Centrão

Para quem se elegeu apregoando que iria acabar com a “velha política”, as relações do Bozo com o Centrão são, para dizer o mínimo, espúrias

Manaus – A notícia a seguir transcrita foi publicada no saite Terra, no dia 18 deste mês, quinta-feira. Ei-la: “Empresários que apoiam a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) discutem abertamente um golpe de Estado caso o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições este ano. As conversas estão em um grupo de WhatsApp que reúne empresários de diversos setores. A coluna de Guilherme Amado, do Metrópoles, teve acesso ao conteúdo.

O grupo reúne nomes como Luciano Hang, dono da Havan; Afrânio Barreira, do Coco Bambu; José Isaac Peres, da rede de shoppings Multiplan; José Koury, dono do Barra World Shopping (RJ); Ivan Wrobel, da construtora W3 Engenharia; e Marco Aurélio Raymundo – o Morongo – dono da Moramaii”.

E prossegue a reportagem: “Segundo a coluna, em uma troca de mensagens no dia 31 de julho, o empresário José Koury defendeu explicitamente uma ruptura na democracia do país. “Prefiro golpe do que a volta do PT. Um milhão de vezes. E com certeza ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil, como fazem com várias ditaduras pelo mundo”, afirmou, deixando implícito que não se importaria que o Brasil virasse uma ditadura novamente”.

É para isso que essa gente se reúne e desfralda a bandeira nacional. É um patriotismo de beira de igarapé, esse que, desprezando as estruturas do estado democrático de direito, prefere tecer loas a uma pretensa ditadura, por certo com saudades do período de chumbo que o país viveu de 64 a 85. O pior é que ainda há gente que faz eco a uma estupidez desse tipo, assim como se só nos fosse possível sobreviver com o Bozo engastado na sela de um corcel golpista.

É bem certo que a sanha conspiratória dos aliados do governo sofreu um revés de respeito com o discurso do ministro Alexandre de Moraes, quando de sua posse na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Aplaudido de pé, Sua Excelência advertiu com gravidade: o ideal é que a justiça eleitoral não precise intervir no processo de escolha, mas, em sendo necessário, fa-lo-á com o rigor necessário.

Foi um recado explícito para golpistas de todos os matizes, bem como para os que imaginam que podem mudar o quadro divulgando mentiras. Sem argumentos para refutar as verdades que são ditas a respeito do governo, os puxa-sacos de plantão preferem adentrar a seara da intolerância e da violência, no que, aliás, não fazem mais do que seguir o exemplo de seu chefe. Não foi à toa que, também na quinta-feira, no cercadinho do Alvorada, o Bozo agrediu fisicamente um homem que o chamou de “Tchutchuca do Centrão”.

Que apelido delicioso e muito bem posto. Para quem se elegeu apregoando que iria acabar com a “velha política”, as relações do Bozo com o Centrão são, para dizer o mínimo, espúrias. Quando nada houvesse para dizer desse estranho conúbio, bastaria trazer à baila os episódios proporcionados pela utilização do orçamento secreto em que, por intermédio de Arthur Lira, Bolsonaro distribui benesses com o dinheiro público, em troca de apoio político.

Torço ardentemente para que esteja próxima a data em que esse quadro devastador terá fim. Não estou me importando com quem pode vencer a eleição. Até um poste será melhor do que o Tchutchuca que, depois da derrota, deverá voltar às suas práticas de atleta que o ajudaram a encarar a pandemia. O povo brasileiro é que já não aguenta ser enganado, com uma política econômica voltada para o grande capital, a cada dia enviando para a linha da miséria milhares de compatriotas. Chega, já é demais.

Anúncio