Segundo turno

O nome Bolsonaro está indelevelmente ligado à noção de desrespeito a tudo o que é normal

Se a coerência for mantida, devemos nos preparar para baixarias inomináveis partidas das hostes bolsonaristas, para o segundo turno. Eu mesmo já vi clara demonstração dessa tendência, na internet, onde se diz a tolice de que Lula vai incentivar que menino e menina façam xixi no mesmo lugar e ao mesmo tempo. Essa tirada especificamente é manifestação antológica de intolerância e, convenhamos, de burrice vociferante. Para acreditar nela é preciso que o infeliz seja desprovido de neurônios e tenha capacidade de esperar a chegada da fada do dente. Que seja uma ameba.

Mas não podia ser de outro modo. O próprio nome Bolsonaro está indelevelmente ligado à noção de desrespeito a tudo o que é normal. Todos se lembram (como seria possível esquecer?) da luta renhida que ele travou contra a vacina, quando o corona vírus iniciava o processo de dizimação de nossa gente. Sua insistência com a cloroquina tinha algo de patológico, na medida em que representava uma afronta à opinião dos maiores cientistas do mundo.

O resultado, como todos sabemos, foi trágico: a pandemia nos pegou de calças curtas, sem o adequado estoque de vacinas e sem os respiradores artificiais, tudo envolvido numa trama de corrupção. Em decorrência disso quase setecentos mil brasileiros tiveram suas vidas abreviadas, deixando uma esteira de viúvas e órfãos, que choram até hoje a irresponsabilidade do presidente da República.

Mas a agressividade dos bolsominions nas redes sociais tem, ainda, mais uma razão de ser. Eles sabem que seu “mito” praticou tantos e tão graves crimes que, perdendo a eleição do próximo dia 30 e retirado o escudo protetivo do cargo que exerce, terá que responder perante a justiça como um cidadão comum. Aí, então, seu destino é incerto e já há quem diga que, derrotado, o Bozo não passa mais nenhum minuto no Brasil, fugindo em busca de asilo político.

Francamente, não sei se procede essa hipótese, mas ela é bem viável, diante de tudo o a que assistimos até agora.
Por outro lado, os defensores da democracia, se não devemos nos intimidar com esses arreganhos autoritários, nem por isso haveremos de aceitar provocações e baixar ao mesmo nível do adversário. Longe disso. Nós temos a verdade conosco e é suficiente usá-la de forma dialética para demonstrar que do outro lado está o atraso, a violência, o ódio, o preconceito e, o que é pior, a saudade da ditadura.

Bozo, na verdade, nada mais é do que um órfão da ditadura militar. Outra coisa não pode explicar a deformação de defender a tortura e elogiar torturadores. Só isso já seria suficiente para desqualificá-lo como postulante à presidência. Mas ele não se satisfaz com tão pouco. Faz questão de demonstrar seu nenhum respeito pela liturgia do cargo, adotando posturas que não quadrariam bem nem em um presidente de grêmio estudantil do segundo grau.

Voltaremos, pois, às urnas e haveremos de voltar fortalecidos. Cuido que a maioria do povo brasileiro já percebeu que esta eleição não trata de enfatizar nomes. Ela se apresenta como a grande oportunidade que temos de dizer não a tudo o que há de retrógrado e que, por mais de três anos, se vem espraiando em nosso solo, contaminando-nos com a bactéria do ódio e da violência.
Chega. Precisamos de paz.

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