Meu velho Umberto

Com a perda do meu pai, aprendi que só ficam as coisas simples da vida, que é amor expresso em pequenos gestos o que realmente fica

Manaus – Há 34 anos, todo dia 6 de outubro conto a mesma história. A história da trágica morte do meu pai durante uma partida de futebol naquele 6 de outubro de 1984, quanto eu era apenas um menino de 12 anos. Não me canso de lembrar essa saudade no meu peito. Saudade boa. Dos bons tempos que estivemos juntos. Das boas lembranças que ficarão pra sempre no meu coração.

Com a perda do meu pai, aprendi que só ficam as coisas simples da vida, que é amor expresso em pequenos gestos o que realmente fica. Todo o resto, os bens materiais, os presentes, tudo isso o vento leva. Fica o abraço, o carinho, fica a bênção, fica o esforço do pai trabalhador pra estar um pouco junto.

Não é morte que guardo. Guardo a vida. Um homem presente no coração da sua família e dos seus filhos mesmo após 34 anos do seu falecimento, será eterno nos valores e nas lições que serão repassadas a varias gerações.

É claro que dói o abraço que faltou quando passei no vestibular, quando me formei, quando casei, quando meus filhos nasceram. É claro que quis correr pra olhar nos olhos do meu pai a cada vitória e que quis seu colo a cada derrota ou frustração. Mas há o que conforta.

O que conforta é saber que nossa curta convivência foi capaz de plantar no meu coração a semente do amor, do estudo e do trabalho honesto. Estivemos 12 anos juntos, só 12 anos. Mas fui tão intensamente amado que que suas mãos estão sempre a me guiar.

Meu velho Umberto, peço a sua bênção. Que eu seja capaz de ser para os meu filhos, seu netos que não lhe conheceram, o amor e a presença que és pra mim até hoje.

*Advogado, professor, escritor e deputado federal