Para ser feliz!

Vivemos tempos estranhos. Nos perdemos dos nossos filhos. Só com amor e diálogo vamos promover o reencontro das nossas gerações

Manaus – Esta semana, Gabriel, meu filho primogênito de 22 anos, partiu para uma temporada de três meses de trabalho nos Estados Unidos. Desde muito cedo foi um sonho dele morar fora. Gabriel sonhou fazer Medicina e acabou passando pra Direito na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Entre idas e vindas, trancamentos da faculdade e cursinho para tentar Medicina novamente – o que me irritava pela instabilidade – Gabriel chegou um dia para uma conversa corajosa comigo dentro do carro.

– Pai, agora o senhor vai me “matar”! Eu não quero mais estudar nem Direito e nem Medicina. Vou fazer Teatro na UEA.

Pensei frações de segundos e respondi.

– Que massa! Tem o meu apoio!

Óbvio que ele tomou um susto com a reação inesperada e me retrucou.

– Pai, minha mãe e minha vó estão indignadas e tu diz que me apoia.

Naquele momento, pensei no porquê nos dedicamos tanto aos nossos filhos, nos sacrifícios que fazemos por eles e no que sonhamos pra eles, e respondi.

– Filho, eu não crio você pra ser médico ou advogado, não crio você pra ser ator ou músico, não crio você pra ser rico, crio você para ser feliz!

Ele acabou decidindo ficar no Direito.

Vivemos tempos estranhos. Nos perdemos dos nossos filhos. Só com amor e diálogo vamos promover o reencontro das nossas gerações.

O Gabriel vai trabalhar na Disney, vai varrer chão, atender na lanchonete, controlar a entrada de brinquedos. Vai realizar seu sonho de uma forma digna e fruto do seu próprio esforço.

Vai, filho. Que Deus te abençoe. Meu coração estará sempre batendo ao seu lado, aonde você estiver.

*Advogado, professor e deputado federal

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