Condenação do delegado Sotero

Registro, mais uma vez, que não se trata de uma luta de classes entre advogados e delegados de polícia

Manaus – Na última sexta-feira (29), Gustavo Sotero foi condenado pelos jurados integrantes do 1º Tribunal do Júri da Comarca de Manaus a pena de 30 anos e dois meses de prisão, bem como, a perda do cargo público de delegado de polícia. Essa condenação remonta ao assassinato do advogado Wilson Justo Filho, no dia 27 de novembro de 2017, em caso de muita repercussão na sociedade amazonense e acompanhado por todos, especialmente, pela imprensa.

Registro, mais uma vez, que não se trata de uma luta de classes entre advogados e delegados de polícia; aliás, registro aqui a importância desses agentes da segurança pública que estão na linha de frente do sistema de Justiça. As polícias merecem valorização, pois dão o primeiro combate na política de segurança submetendo-se a riscos diários da atividade, são merecedores de valorização. Sempre entendi o caso do delegado Sotero como algo episódico, que não reflete a tônica da atividade policial no Estado do Amazonas.

A condenação do delegado não me trouxe nenhum sentimento de alegria, de regozijo, de satisfação. Vi no banco dos réus um ser humano que destruiu a família do Wilson Justo Filho, se destruiu, destruiu sua própria família em uma noite. A família do colega advogado, sua esposa, suas filhas e seus amigos, não terão uma nova oportunidade de vê-lo neste plano; a família de Sotero sim, podem abraça-lo, demonstrar-lhe afeto e confiança no seu retorno ao convívio em sociedade.

Entendo que ocorreu um julgamento justo, todos devem se submeter à lei, ninguém está à sua margem, especialmente, os agentes públicos que possuem treinamento e de quem muito se espera. O agora Ex-Delegado terá uma segunda oportunidade na vida.

Dessa grande tragédia humana ficam várias lições, lições que salvarão outras vidas: não misturar bebida com o manuseio de arma de fogo; não adentrar em casas de show armados; permitir o acautelamento da arma de fogo nesses ambientes e acima de tudo: bom senso – seja na balada, seja no trânsito – uma decisão dessa natureza mudou o curso de muitas vidas.

A condenação acalma o coração das vítimas e familiares, não devolve o Wilson para o nosso convívio; que Deus acalme os corações das famílias da vítima e do agora ex-delegado Sotero – que esse episódio sirva de reflexão para todos nós.

*Presidente da OAB Amazonas

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