A quem interessa a Amazônia?

Depois de décadas de desmatamento, de anos de esquecimento dos potenciais naturais da fauna e flora amazônida, líderes mundiais dos países mais ricos da terra, passaram a bradar: “Temos que preservar a nossa Amazônia!”

Manaus – Nos últimos meses, algo surpreendente ocorreu nas mídias mundo afora. Descobriram que a Amazônia existe! Sim, depois de décadas de desmatamento, de anos de esquecimento dos potenciais naturais da fauna e flora amazônida e das inúmeras e seguidas ameaças à sustentabilidade do meio ambiente, em um rompante inusitado, líderes mundiais dos países mais ricos da terra, passaram a bradar: “Temos que preservar a nossa Amazônia!”.

Confesso: fiquei chocado. Não com as inúmeras fotografias de queimadas (em sua maioria defasadas ou de localidades equivocadas) ou com as imagens de animais em perigo (até de girafas e leões, que nunca fizeram parte da fauna amazônica). Mas sim, surpreso com o oportunismo do assunto e com a quantidade impressionante de pseudo ‘especialistas’ no tema Amazônia, que, de uma hora para outra, passaram a dar aulas daquilo que o nosso ribeirinho já conhece ‘de cor’.

Descobri rápido que se tratava apenas de uma artimanha, uma tática para tirar atenção do foco principal, uma bomba de fumaça para encobrir o verdadeiro debate: o quanto o Brasil pode mexer no tabuleiro econômico mundial, se fechar os acordos corretos e seguir com responsabilidade e inteligência pactos bilaterais e multilaterais de comércio internacional.

Cumpre a nós, amazônidas, revelar ao mundo que temos sim, desafios e devemos enfrentá-los (como as queimadas que todos os anos se repetem), mas que essas dificuldades não impedem nossa floresta de ser a mais preservada do mundo e que os responsáveis primeiros para que a mata esteja de pé são os habitantes que aqui vivem, sem nunca ter tido a atenção devida.

*Deputado federal pelo Amazonas (PSL) e delegado de Polícia Federal

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