O homem é o lobo do homem

O amor ao próximo não está em pauta, afinal de contas, esse próximo, nada mais é que o adversário a ser vencido

Manaus – Certa vez, li essa afirmação “o homem é o lobo do homem”. Imaginei muitas coisas. A primeira que me veio em mente é que o ser humano, por natureza, compete com o seu semelhante na batalha da vida, na busca de uma posição social melhor ou na disputa simples pelo assento vago no ônibus, no qual a maioria viaja em pé e sem conforto.

Depois imaginei que essa ação predatória entre os homens se traduziria na incessante luta pelo sucesso, em que não há medalhas de ouro para todos e que para chegar no topo, o seu oponente não medirá esforços para chegar à sua frente. Ao final, percebi que a frase significava mais do que tudo isso: somos caçador e presa uns dos outros. Assassinos e vítimas de nossas ganâncias.

O amor ao próximo não está em pauta, afinal de contas, esse próximo, nada mais é que o adversário a ser vencido. Talvez por isso os dias estejam tão curtos e as noites tão longas. Egoístas e intolerantes nos tornamos. A sociedade está doente. Doente de valores, doente de caráter e carente de amor.

Vamos resgatar a essência de afeto que nos foi ensinada quando crianças, onde mais valia compartilhar o pouco que se tinha para fazer amigos do que banquetear qualquer fartura sozinho. Ninguém tem sucesso às custas do fracasso alheio. Podemos construir um mundo melhor, com mais pontes do que muros, mais coletivo do que individual. A herança que cada um de nós deixa não é medida em dinheiro, mas sim no bem que fazemos aos que ficam quando partimos.

*Deputado federal (PSL) e delegado de Polícia Federal

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