A Covid-19 e as alterações do olfato

Denominada parosmia, a sequela causa a perda ou alteração olfativa e do paladar

Muito tem se falado sobre as sequelas da Covid-19. E delas, a mais conhecida é a parosmia, ou seja, a perda ou alteração olfativa e do paladar. Pesquisas internacionais apontam que até 47% dos pacientes que perdem o olfato com a infecção podem desenvolver o distúrbio, o que tem incomodado muita gente e causado grandes transtornos mundo afora.

Nosso corpo é capaz de identificar um trilhão de cheiros diferentes, compostos por várias moléculas que entram nas narinas e se unem a diferentes neurônios olfatórios. Alguns vírus, infelizmente, podem infectar e lesionar esses neurônios. Isso interrompe o envio das mensagens que permitem que o cérebro interprete o cheiro que estamos sentindo. É por isso que muitos pacientes infectados por Covid perdem o olfato. Em alguns casos, apenas parte dos neurônios olfatórios se recupera. Dessa forma o cérebro passa a identificar de maneira distorcida alguns ou vários cheiros.

Outro ponto é que, como os neurônios olfatórios passam a enviar sinais distorcidos, o cérebro começa a decodificar os cheiros de forma errada, muitas vezes como sendo odores ruins ou simplesmente incorretos. Isso pode levar a situações bizarras. A confusão no envio de sinais entre as terminações nervosas da região nasal e do cérebro confunde e distorce as memórias básicas e associações olfativas.

Vale lembrar que a parosmia é um sinal de recuperação do corpo. Apesar disso, é possível tratá-la para acelerar o processo. Os otorrinolaringologistas são os especialistas que podem orientar sobre o treinamento olfativo, prática que deve ser orientada pelo médico, com a intenção de ajudar o cérebro a assimilar os cheiros e reorganizar as associações, trazendo qualidade de vida aos indivíduos acometidos.

Fique atento, pois nem todos os sintomas persistentes que venham a ocorrer depois da recuperação da Covid-19 são sequelas permanentes. A parosmia, apesar de ser a mais frequente e conhecida, tem tratamento. Caso você esteja sofrendo com este problema ou preocupado com algum dos seus sintomas procure atendimento médico. Sua saúde agradece.

*Médico oftalmologista. Tem formação em Oftalmogeriatria, com especialização em Gerontologia e Saúde do Idoso. Atua como diretor clínico na Policlínica Codajás, é coordenador do ambulatório de oftalmologia na FUnATI (Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade ) e cursa mestrado em Doenças Tropicais e Infecciosas pela Fundação de Medicina Tropical (UEA/FMT – HVD)

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