As habilidades mentais melhoram com o tempo?

Um estudo afirma que algumas habilidades até melhoram com o passar do tempo e com as experiências conquistadas ao longo da vida

Ao contrário que muita gente pensa, a idade não traz tantas alterações na cognição (que é a capacidade de adquirir conhecimento) como se imaginava. Na verdade, de acordo com estudo publicado na revista Nature Human Behavior, algumas habilidades até melhoram com o passar do tempo e com as experiências conquistadas ao longo da vida.

Parece ser senso comum que à medida que envelhecemos ocorre uma queda nas habilidades mentais, porém os estudos demonstram que não é bem assim. Duas funções cerebrais fundamentais que nos permitem obter  novas informações e focar no que é importante, podem de fato, melhorar em indivíduos mais velhos. Sendo que essas funções estão relacionadas a aspectos importantes, como a memória, a tomada de decisões, o autocontrole, ações matemáticas, linguagem e leitura.

Esses dados são resultado de uma pesquisa feita pela Universidade de Georgetown em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde correu a análise de três componentes distintos da atenção e função executiva num grupo de 702 participantes, com idades compreendidas entre os 58 e os 98 anos.  Sendo que este grupo etário, segundo os autores, é aquele em que a cognição humana mais se altera durante o envelhecimento.

Se por um lado, ainda podem existir dúvidas de como o processo ocorre, por outro, os achados não apenas mudam nossa visão de como o envelhecimento afeta a mente, mas também podem levar a melhorias clínicas, inclusive para pacientes com transtornos do envelhecimento, como a doença de Alzheimer

Saber que as habilidades mentais melhoram com o tempo e com as experiências adquiridas é a certeza que o envelhecimento tem sim seus benefícios, e sendo um processo contínuo, um estímulo para que tenhamos novas experiências e possamos aproveitar ainda mais essa grande fase da vida.

*Médico oftalmologista. Tem formação em Oftalmogeriatria, com especialização em Gerontologia e Saúde do Idoso. Atua como diretor clínico na Policlínica Codajás, é coordenador do ambulatório de oftalmologia na FUnATI (Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade ) e cursa mestrado em Doenças Tropicais e Infecciosas pela Fundação de Medicina Tropical (UEA/FMT – HVD)

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