Empréstimo pra quê?

Estamos completando um ano da nova gestão e, para infelicidade, a esperança de dias melhores se transformou em pavor diante de tanta incompetência

Manaus – Como explicar um Estado que bate recorde histórico de arrecadação, chegando a R$ 20 bilhões em receita, precisar contrair um empréstimo de R$ 1,2 bilhões para garantir o fechamento de suas contas? Eis a questão que nenhuma ‘alma iluminada’ do governo do Amazonas explica.

E o que é pior, a toque de caixa, passando o rolo-compressor para não deixar que o assunto infame pudesse ser discutido junto à sociedade. Como se não bastasse abrir mão de quase R$ 700 milhões de dívidas da Petrobras, ainda impõe esse golpe no bolso da população.

Não esqueça quem vai pagar a conta é você. Aliás, já está pagando. Salários de parte dos servidores atrasados, descontentamento, prenúncios de greves e a mais nova: majoração do desconto de INSS dos salários de servidores públicos de 11% para 14%. Isso mesmo, sem discutir com os trabalhadores, sem debate. De forma quase ditatorial. Mais um presente de grego para o funcionalismo público que verá seu salário cair, após aprovação da lei, na última terça-feira (10), na Assembleia Legislativa. E ninguém foi avisado!

Somente eu e os deputados Dermilson Chagas e Serafim Corrêa votamos contra. Alertamos todos os deputados. Sou a favor da discussão. Um projeto de lei como este não poder chegar na ALE em cima da hora e no mesmo minuto ser aprovado. Triste realidade, o governo empresta dinheiro e não fará nenhum investimento para gerar emprego e renda.

Por isso eu não posso ser omisso. O governo comete muitos pecados dos quais eu não compactuo. Não quero ser castigado por ser cúmplice de tantas coisas ruins que, realmente, aterrorizam a população.

Estamos completando um ano da nova gestão e, para infelicidade, a esperança de dias melhores se transformou em pavor diante de tanta incompetência, descaso e negligência com nossos cidadãos. Nem em seus piores pesadelos o amazonense esperava viver dias tão nebulosos. Continuemos fortes, firmes e vigilantes.

*Deputado estadual, economista, mestre em Sustentabilidade e Meio Ambiente e doutorando em Administração

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