Estamos perdendo nossos jovens

A sociedade se não chamar para si essa responsabilidade de cobrar dos governos atitude, sentirá, ou já sente, que quando perdemos um adolescente para o crime, ele se voltará contra ela da forma mais cruel

Manaus – O que ocorreu no Beco J.B Silva, no Crespo, na semana passada, com a morte de 17 traficantes, reflete uma triste realidade: nossos jovens estão cada vez mais cedo se rendendo para o tráfico. A grande maioria eram adolescentes, jovens com 14 anos já envolvidos na vida do crime, ficando clara a total ausência de políticas públicas que evitem que o nosso futuro seja levado para a criminalidade.

A sociedade precisa cobrar dos governos (federal, estadual e municipal) ações concretas para o enfrentamento dessa epidemia que está espalhada por nosso País. A inércia e a omissão da falta de políticas governamentais, também, estão transformando os nossos jovens – principalmente das comunidades carentes – em presas fáceis.

Precisamos investir em projetos que ocupem a juventude, em que eles possam sentir que é possível sim ter perspectiva de futuro. Para isso ocorrer, precisamos de programas integrados para mantê-los ocupados com a prática de esportes, boa educação, geração de emprego e futuro. Projetos com demanda casada com as empresas, dando oportunidade e esperança, precisam funcionar.

Acredito que juntos podemos encontrar um caminho. Projetos como o ‘Segundo Tempo’ e o ‘Galera Nota 10’ precisam ser retomados. As empresas do nosso Distrito e do comércio podem sim, dar aos jovens oportunidades de emprego. O Sistema S (Sebrae, Senac e Sesc), com também ONGs que atuam com qualificação profissional, são de suma importância para a inserção deles no mercado de trabalho.

Quer combater a marginalidade? Gere emprego e renda. Mas não pense que isso é apenas um problema de segurança pública, é maior que isso. A sociedade se não chamar para si essa responsabilidade de cobrar dos governos atitude, sentirá, ou já sente, que quando perdemos um adolescente para o crime, ele se voltará contra ela da forma mais cruel.

*Deputado estadual, economista, mestre em Sustentabilidade e Meio Ambiente e doutorando em Administração

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