Infelizmente, vai morrer gente!

Para ajudar a melhorar a saúde basta combater duramente os contratos milionários. O caso Dantas Transportes e as refeições preparadas são exemplos

Manaus – Na semana passada, no meu primeiro artigo, alertei a sociedade sobre o interesse do governo em reduzir o número de cirurgiões em 50% no Serviço de Pronto Atendimento (SPA), sob o argumento de não possuir demanda, pacientes de urgência e emergência para essas unidades da capital. E minha posição foi sempre contrária a essa atitude tomada pelo governador Wilson Lima.

Mas infelizmente, o governo cumpriu com a palavra! Para a tristeza de todos, desde a última terça-feira (1º), a promessa foi cumprida. Boa parte da população, em especial, as mais carentes, que realmente necessitam dos serviços das unidades, estão preocupadas.

Neste espaço, vou fazer o que faço na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE) propor melhorias: não seria mais útil aprimorar essas unidades para desafogar os grandes hospitais? Confesso que não entendo!

Ao conversar com profissionais da área da saúde, todos foram unânimes em afirmar que a presença dos cirurgiões no SPAs evitam os descolamentos de pacientes para os grandes hospitais. Quero lembrar o governador, e também o vice-governador, que foi por 90 dias secretário de Saúde do Estado, que um hospital tem que estar devidamente preparado para o pior, pois incidentes acontecem a todo momento. Reduzir médicos em hospitais é aumentar, e muito, a chance de tragédias. Por sinal, é unânime no meio dos profissionais da saúde: essa medida adotada pelo governo vai gerar mais mortes na rede pública de saúde.

Convoco a população, por meio das redes sociais, a iniciarmos uma grande mobilização pela revogação desse ato. Esse argumento de economizar R$ 5 milhões por ano não justifica retirar cirurgiões dessas unidades. Já pensou se essa moda pega? Daqui a pouco, sob o argumento que não tem incidente, vão diminuir o efetivo dos bombeiros. É essa a lógica? Claro que não! O governador precisar ter a coragem de cortar gastos desnecessários, como a do pregão de tenda e cadeira para a feira agropecuária no valor de R$ 50 milhões. Economizar para investir em saúde é salvar vidas.

Para ajudar a melhorar a saúde basta combater duramente os contratos milionários. O caso Dantas Transportes e as refeições preparadas, denunciadas por mim na ALE, são exemplos. Ainda há tempo de o governo rever seus atos em prol da sociedade. A população clama por medidas de austeridade que tenham retorno. É preciso economizar e permitir que o dinheiro público não vá para o ralo da corrupção.