Não a Lei Delegada!

Vemos um governo que não prioriza a vida, esbanja o dinheiro do povo com grandes eventos e festas. Só a título de comparação: com o dinheiro do show da Anitta, em Parintins, seria possível resolver a problemática da UTI do Hospital Francisca Mendes

Manaus – Quem me conhece sabe que sou legalista, defendo e acredito que um governo pode utilizar de todo o instrumento legal para buscar o aprimoramento da máquina pública, tão somente, em prol do povo. E essas implementações precisam ser acompanhadas de temporalidade e bom senso. E isso, é o que não vemos na gestão do governador Wilson Lima, que não goza da confiabilidade de quase 70% da população, mas terá o direito e poder de mexer com toda a máquina administrativa.

A Lei Delegada tem este poder. Um amplo poder concedido ao governador. Essa lei aprovada na Assembleia Legislativa do Estado (ALE) ‘lima’ a participação da população de qualquer debate, ou seja, retira a participação dos deputados, os legítimos representantes do povo.

Essa lei está com nove meses de atraso e deveria ser implementada nos primeiros 60 dias de trabalho, onde toda esperança e credibilidade ainda pairavam sobre o novo governante. Apesar de ser oposição, eu não teria o direito de negar essa prerrogativa, haja vista que a maior autorização quem deu foi o próprio povo ao elegê-lo.

Quando vereador e presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) votei este mesmo recurso, mas de forma assertiva. Autorizar a lei seria um erro de proporções incalculáveis, um verdadeiro cheque em branco para alguém que já demonstrou total despreparo para lidar com a coisa pública.

Como podemos confiar, se nem as medidas elementares – que qualquer gestor adotaria – foram feitas? Redução de contratos com Pessoa Jurídica (PJ), que poderia trazer para o Estado uma economia anual de mais de R$ 300 milhões, não foi feita! Diminuição de cargos comissionados que consomem mais de R$ 200 milhões por ano, também não existiu.

Vemos um governo que não prioriza a vida, esbanja o dinheiro do povo com grandes eventos e festas, como o show da cantora Anitta, em Parintins, que somente de cachê levou R$ 500 mil. Só a título de comparação: com esse dinheiro seria possível resolver a problemática da UTI do Hospital Francisca Mendes.

O governo precisa entender que – para governar – precisa do apoio da sociedade. Da forma que hoje ele se encontra, não possui condição alguma de pedir do Poder Legislativo Estadual apoio para ter um cheque em branco. Governador, Lei Delegada não dá, demonstre primeiro capacidade para governar.

*Deputado estadual, economista e doutorando em Administração

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