Saúde: está ruim, vai ficar pior!

A partir do dia 1º de novembro, o governador Wilson Lima resolveu substituir o Instituto de Enfermagem em Terapia Intensiva – que cuida de 39 Unidades de Terapia Intensiva – para a Manaós Serviços de Saúde Ltda

Manaus – Hospitais sem cirurgias, falta de insumos básicos, servidores com salários atrasados e mortes nos hospitais. Estamos vivendo um caos na saúde pública do Amazonas. E como tenho avisado, o caos está instalado por decisões erradas, feitas por quem comanda o nosso Amazonas.

Para ficar pior neste ‘efeito dominó’, que não acaba, a partir do dia 1º de novembro, o governador Wilson Lima resolveu substituir o Instituto de Enfermagem em Terapia Intensiva (IETI) – que cuida de 39 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) – para a Manaós Serviços de Saúde Ltda. O problema é que todos os trabalhadores da Saúde no Estado afirmam que a nova empresa não possui especialização para desenvolver o trabalho, e também não conta com profissionais aptos para trabalhar na UTI; o momento mais delicado da vida humana.

Lembro que foram feitas representações ao Tribunal de Contas (TCE-AM) e ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) denunciando a contratação dos enfermeiros por parte do governo do Amazonas. Como se trata de enfermeiros intensivistas, o documento revela que a empresa contratada está recrutando profissionais sem a experiência necessária para o trabalho. Ou seja, podem colocar em risco a vida de centenas de pacientes.

O que era para ter sido visto com cuidado e zelo foi feito às pressas. A nova administradora das UTIs possui três sócias servidoras públicas do Estado lotadas nas unidades de saúde da capital. Não custa lembrar que a Lei de Licitações proíbe o servidor público de participar de licitações realizadas pelo órgão solicitante. Mas neste governo, tudo pode.

Um outro fator, muito preocupante, é o valor apresentado pela Manaós. A empresa venceu por oferecer o valor mais baixo do certame: R$ 16.395.715, muito abaixo da oferta, o que poderá acarretar em serviços não realizados ou mal feitos, podendo obrigar o Estado a pagar aditivos no contrato.

*Deputado estadual, economista e doutorando em Administração

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