Andreas von Richthofen nega perdão a assassino de seus pais: “Não vou servir chazinho”

Andreas von Richthofen afirmou que não aceita pedido de perdão nem de reaproximação com o ex-cunhado

São Paulo – Após receber carta escrita de Daniel Cravinhos em programa de TV, o irmão de Suzane von Richthofen, Andreas von Richthofen, afirmou que não aceita pedido de perdão nem de reaproximação com o ex-cunhado. Em uma rara entrevista concedida à produção do programa Tá na Hora, do SBT, Andreas disse que não vai “servir chazinho” ao homem que ajudou a matar seus pais. Daniel e o irmão Cristian ajudaram Suzane a matar os pais dela, em outubro de 2002.

(Foto: Reprodução)

“Não vou servir chazinho para os caras, fica difícil. Marretaram a cabeça do seu pai, e você vai dançar ciranda com o sujeito depois?”, afirmou.

Andreas recebeu a carta de Daniel Cravinhos, mas não se interessou pelo pedido e disse que não quer aproximação.

Daniel Cravinhos foi condenado a 39 anos de prisão pelo assassinato de Mandref e Marisia von Richthofen, pais de Andreas e Suzane von Richthofen. Ele foi namorado de Suzane von Richthofen, que participou do assassinato dos próprios pais. No texto, ele pede perdão a Andreas e sugere que eles se encontrem para uma conversa e um abraço.

Leia a carta na íntegra:

“Querido Andreas,

Após sete anos de reflexão, finalmente encontro coragem para escrever a você. Sinto-me apreensivo com a sua possível reação ao ler essa carta. Recentemente, tomei conhecimento de notícias suas por meio de amigos em comum e pela imprensa, o que me levou a tomar a decisão de pôr para fora o que estou sentindo.

Minha mente está em turbilhão, pois meu desejo mais profundo é ter o seu perdão. As palavras mal conseguem expressar a intensidade de minha angústia e remorso. Minhas mãos tremem enquanto escrevo, e cada linha é uma batalha contra os fantasmas do passado.

Há duas décadas, desde aquele fatídico dia, carrego o peso do arrependimento e da culpa, ciente de que minhas ações trouxeram tamanha tragédia para nossas vidas. Desde sempre penso em você, a maior vítima de tudo o que aconteceu. Hoje, ao praticar motovelocidade, a imagem do seu rosto vem à minha mente. Como seria bom ter você ao meu lado, correndo em uma moto. Lembra do mobilete que construímos juntos?

Somos vizinhos em São Roque. Meu sítio fica a três quilômetros do seu. Sinto vontade de tocar a sua campainha, mas temo sua reação. Morro de medo que você se sinta ameaçado com a minha presença. Além disso, sei que a sociedade me vê unicamente como o assassino de seu pai. E você? Como você me enxerga além disso?

Saí da prisão em 2017 após perder 17 anos de minha liberdade. Mas você perdeu muito mais do que eu. Desejo compreender seu luto e fazer parte dele. Lembro do dia da reprodução simulada feita na sua casa duas semanas após o crime, quando você abraçou o Cristian e me olhou emocionado. Quando íamos nos abraçar, os policiais não deixaram. Entendi o seu gesto de carinho como um perdão. Contudo, você era apenas um adolescente. Hoje, você é um homem adulto. Gostaria de conversar contigo e expressar meus sentimentos.

Desde que saí da prisão, reconstruí minha vida, assim como Suzane, sua irmã. Aos trancos e barrancos, o Cristian também está tentando recomeçar. No entanto, a culpa continua a me perturbar. Parte de minha família me rejeita, e sinto que um dedo acusador aponta para mim constantemente, me lembrando do que fiz. Essa culpa não desaparecerá com a sentença que me condenou a 39 anos. Seguirá comigo até o fim dos meus dias.

Espero, do fundo de minha alma, que você encontre no coração a compaixão para me perdoar. Sei que minhas palavras podem parecer insuficientes diante da magnitude do que aconteceu, mas é com toda a sinceridade e humildade que peço por tua misericórdia. Estou disposto a enfrentar as consequências de meus atos e a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para tentar reparar o enorme dano que lhe causei. Se você permitir, gostaria de ter a oportunidade de falar pessoalmente, olhos nos olhos, e abrir meu coração.

Mas, se você preferir manter distância, respeitarei. Apenas desejo saber o tamanho do abismo emocional que nos separa para saber se é possível atravessá-lo. Hoje, serias capaz de me dar o abraço que não aconteceu 22 anos atrás?

Daniel Cravinhos.”

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