Biomédica baiana ganha prêmio Capes de Tese por sequenciar genoma do coronavírus

Além de ter coordenado um estudo importante, Jaqueline se destacou ainda pelo tempo recorde que trouxe os resultados

Bahia – A biomédica baiana, Jaqueline Goes,  coordenou a equipe responsável por sequenciar o genoma do SARS-CoV-2 no país, ajudando na prevenção e controle de outras epidemias. E agora em dezembro, ela recebeu o Prêmio Capes de Tese em Medicina II por essa descoberta.

(Foto: Divulgação/Correio 24 horas)

De acordo com o Correio 24 horas, além de ter coordenado um estudo importante, Jaqueline se destacou ainda pelo tempo recorde que trouxe os resultados. Em 48 horas, ela e a equipe desenvolveram um estudo que trata dos principais vírus que estão presentes no Brasil e geram ondas epidêmicas, como zika, dengue, chikungunya e febre amarela.

Leia mais: Pai cobra respostas pela morte da filha após receber vacina da Pfizer

O estudo ganhou o nome de ‘Vigilância genômica em tempo real de arbovírus emergentes e reemergentes’, e teve como principal meta compreender a origem, o processo de introdução no país e o modo de dispersão da família de vírus transmitidos por mosquitos, os arbovírus.

Jaqueline acompanhou alguns casos desses vírus aqui no Brasil, tentando prever como eles se disseminam e como é possível identificar a ocorrência de novos surtos.

“A partir do momento que você sequencia o genoma de um determinado vírus, você consegue ter informações necessárias para entender e enfrentar novas epidemias”, conta Jaqueline.

Ela ainda ressaltou que todas as informações sobre o DNA de cada um destes microrganismos pode ajudar o sistema de saúde e a ciência a entenderem “como o vírus se dispersa na população, qual a sua taxa de transmissão, quais as mutações que o vírus já sofreu e qual a dinâmica da sua ação sobre a população”.

Na prática, o trabalho da tese contribuirá para a saúde pública do Brasil, apontando as probabilidades de novas epidemias. Os laboratórios dos estados conseguirão identificar mais rapidamente a presença de vírus naquela região.

Antes, a identificação era mais demorada e só conseguia identificar alguns casos. “Uma das minhas propostas centrais é difundir todo o conhecimento que eu alcancei para que eles possam realizar a identificação e o diagnóstico do genoma ali mesmo, naquele local”, explica a biomédica.

Premiação

A pesquisa da Jaqueline recebeu o reconhecimento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável por condecorar nomes importantes da nossa saúde.

blank

(Foto: Reprodução)

Jaqueline é graduada em Biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, e mestre em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI), pela Fiocruz da Bahia.

Ela desenvolveu toda a sua pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Patologia (PGPAT), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e realizou doutorado-sanduíche nas Universidades de Oxford e de Birmingham, na Inglaterra.

O Prêmio Capes de Tese 2020 foi concedido às melhores teses de doutorado defendidas em 2019. O prêmio tem ainda parceria entre a Capes, a Fundação Carlos Chagas, a Comissão Fulbright, o Instituto Serrapilheira e, mais recentemente, a Dimensions Sciences (DS), uma organização não governamental norte-americana que condecora exclusivamente mulheres. Os critérios de seleção consideram a originalidade do trabalho e sua relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação.

Anúncio